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Paula Lima lidera UBC e revela desigualdade de gênero na música brasileira

Paula Lima lidera UBC e revela desigualdade de gênero na música brasileira

Um estudo da União Brasileira de Compositores (UBC) revelou dados alarmantes sobre a desigualdade de gênero na indústria musical. Em 2025, apenas 10% dos direitos autorais foram destinados a mulheres. Entre os 100 maiores arrecadadores, somente 11 mulheres se destacam, com a melhor colocação feminina subindo do 21º para o 16º lugar.

A pesquisa, parte da edição 2026 do estudo Por Elas Que Fazem Música, indica que as autoras concentraram 73% do total recebido pelas mulheres, enquanto as versionistas e produtoras fonográficas ficaram com apenas 1% cada da arrecadação. As intérpretes representaram 23% e as que executam as músicas apenas 2%.

Crescimento e Desafios

O estudo também mostra um crescimento expressivo no cadastro de obras e fonogramas com participação feminina, com um aumento de 229% na quantidade de mulheres associadas à UBC desde 2017. No entanto, a entidade reforça que, apesar dos avanços, “a presença feminina ainda precisa ser fortalecida em diversas áreas do setor musical”.

Assédio e Maternidade

Uma pesquisa realizada com mais de 280 mulheres revelou que 65% relataram ter sofrido assédio no meio profissional, com a maioria dos casos sendo assédio sexual. Além disso, 60% das mulheres com filhos sentiram interferência nas suas carreiras, enfrentando desafios como a diminuição de oportunidades e críticas sobre sua dedicação à maternidade.

Novas Lideranças na UBC

Desde 2023, Paula Lima é a primeira mulher a presidir a UBC, onde mais de 57% dos postos de liderança são ocupados por mulheres. Lima acredita que a ampliação da presença feminina na UBC impacta diretamente a indústria musical, promovendo mudanças significativas.

Ela destaca que “representatividade transforma estruturas” e que a presença de mulheres em posições de decisão é crucial para mudar dados historicamente desiguais. A diretora da UBC, Fernanda Takai, também enfatiza a importância da educação e visibilidade para incentivar a participação feminina no setor.

Opinião

A luta pela igualdade de gênero na música é um reflexo das desigualdades enfrentadas em diversas áreas. A mudança deve ser contínua e coletiva, com ações que promovam a inclusão e valorização das mulheres na indústria.