O uso crescente de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, ambos da classe GLP-1, está provocando mudanças significativas no mercado global de açúcar. Com a popularização dessas canetas emagrecedoras, a demanda por açúcar tem caído, resultando em uma forte pressão sobre os preços da commodity.
Recentemente, o preço do açúcar caiu abaixo de US$ 0,14 por libra nos contratos futuros, atingindo a menor cotação em cinco anos. Em um ano, a queda acumulada é de 29%, com uma redução de 4% apenas em 2026. Essa tendência foi confirmada por tradings americanas, como a Czarnikow, que relacionam a diminuição no consumo à popularidade dos medicamentos GLP-1.
Impacto no Brasil e no mundo
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também reconheceu a influência dos medicamentos no mercado de açúcar, citando a incerteza da demanda como um fator de risco. Com um crescimento estimado de apenas 1,4% no consumo mundial, os estoques globais de açúcar devem aumentar em 5%, alcançando 44,4 milhões de toneladas.
O Brasil, que é o maior exportador mundial de açúcar, representa 23% da produção global. No mercado interno, o preço da saca de 50 kg de açúcar cristal branco em São Paulo está em R$ 98,14, o menor valor desde outubro de 2020. Desde o início de 2025, o preço já caiu 39%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O futuro dos medicamentos GLP-1
A quebra da patente da semaglutida, presente nas canetas emagrecedoras, está prevista para 20 de março no Brasil, o que poderá ampliar ainda mais a popularidade desses medicamentos. Estima-se que até 30 milhões de americanos estejam em tratamento com GLP-1 até 2030, o que pode impactar ainda mais o consumo de açúcar.
Além disso, a tendência de rejeição a produtos açucarados tem se espalhado, afetando mercados na Europa e América Latina. O Morgan Stanley já destacou que usuários de GLP-1 tendem a reduzir o consumo de calorias, especialmente em doces e bebidas açucaradas.
Opinião
O impacto dos medicamentos GLP-1 no mercado de açúcar é inegável e reflete uma mudança nos hábitos alimentares que pode ter consequências duradouras para a indústria sucroalcooleira.






