Santa Catarina

ONG Olho Vivo pede transferência de ação sobre propina em concessões de saneamento em SC

ONG Olho Vivo pede transferência de ação sobre propina em concessões de saneamento em SC

A investigação sobre contratos de concessão de água e esgoto em Santa Catarina ganhou novos desdobramentos com a ONG Olho Vivo protocolando um requerimento no Ministério Público Federal (MPF). A entidade solicita a transferência da ação para o estado, onde os impactos das irregularidades são mais diretos.

As delações premiadas revelam supostos pagamentos indevidos, incluindo um relato de um ex-diretor, identificado como Barcia, que afirmou que um prefeito de São Francisco do Sul teria exigido R$ 9 milhões para manter o contrato de concessão. O pagamento, segundo o delator, teria sido feito através da emissão de notas fiscais frias vinculadas a uma agência de publicidade.

Pedido de mudança de foro

A ONG Olho Vivo argumenta que a competência territorial da ação deve ser fixada em Santa Catarina, já que os eventos ocorreram no estado e impactam diretamente a população local. Além disso, a entidade busca ingresso formal no processo para defender os direitos ao saneamento básico, com base no artigo 225 da Constituição Federal e nas diretrizes do Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020).

Contexto da investigação

A investigação do MPF teve origem em acordos de colaboração premiada de ex-executivos do setor. Os depoimentos indicam pagamentos irregulares e exigências de vantagens indevidas por agentes públicos. A Aegea foi uma das empresas que denunciou o pagamento de propina em 2020, revelando um esquema que movimentou pelo menos R$ 63 milhões entre 2010 e 2018.

Santa Catarina enfrenta desafios significativos no saneamento, com apenas 34% de cobertura de esgoto, colocando o estado na 19ª posição entre as unidades federativas. No entanto, cidades como Florianópolis, Blumenau e Joinville estão entre as 100 melhores no ranking de saneamento, destacando-se pela necessidade de melhorias.

Opinião

A situação do saneamento em Santa Catarina é alarmante e destaca a urgência de ações eficazes para garantir o acesso à água e esgoto tratados, além de combater a corrupção que afeta o setor.