Navios-tanque carregados com gás natural liquefeito (GNL) estão sendo desviados da Europa para a Ásia, onde os preços dispararam devido à guerra no Oriente Médio. Este desvio ocorre em meio a preocupações com o abastecimento, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz desde 4 de março.
O navio Elisa Ardea, que partiu do sul do Texas, mudou sua rota para um porto na província de Chiba, no Japão, ao invés de seguir para a Holanda. Essa mudança é parte de uma tendência crescente, com pelo menos sete ou oito navios alterando suas rotas em resposta à instabilidade no Oriente Médio, de acordo com o analista da Kpler, Go Katayama.
Impacto nos preços do GNL
Os preços do GNL na Ásia atingiram US$ 24,80 por MMBtu em abril, mais que o dobro do preço de fevereiro. Em comparação, o preço na Europa gira em torno de US$ 20 a US$ 21 por MMBtu. Essa diferença atrai navios que transportam GNL dos Estados Unidos e da Nigéria, que não têm restrições contratuais.
A situação se agrava com a declaração de força maior pela Qatar Energy em 4 de março, que isenta a empresa de suas obrigações de fornecimento, e a queda dos níveis de estoque de gás na União Europeia, que estão abaixo de 30% da capacidade, o menor patamar desde 2022.
Desafios para a Europa e a Ásia
A China, a maior compradora de GNL do Oriente Médio, importa cerca de 20 milhões de toneladas anualmente, enquanto Taiwan e Coreia do Sul enfrentam dificuldades, dependendo fortemente do GNL do Oriente Médio. Se a situação se prolongar, o Japão poderá precisar recorrer a aquisições alternativas no mercado spot.
Além disso, a Petronet LNG, uma das principais importadoras indianas, declarou força maior, o que indica que a demanda interna em países como Paquistão e Bangladesh pode não conseguir acompanhar os altos preços, resultando em apagões frequentes.
Opinião
A disputa por suprimentos de GNL entre a Europa e a Ásia revela a fragilidade do mercado energético global, que pode levar a consequências severas para a segurança energética em várias regiões.






