A Natura deu um passo importante em seu processo de reestruturação ao anunciar uma profunda reformulação em sua governança, marcada pela saída dos fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos do conselho de administração. A entrada da gestora Advent como acionista de referência é um dos principais destaques dessa mudança.
O movimento foi amplamente bem recebido por analistas de mercado, que classificaram os anúncios como um “reset institucional” e um sinal de amadurecimento da companhia. A Natura agora se foca na melhoria de rentabilidade e no crescimento das operações das marcas Natura e Avon na América Latina.
Participação da Advent e preço alvo
Pelo acordo, a Advent poderá adquirir entre 8% e 10% de participação acionária na Natura, por meio de compra direta de papéis no mercado em até seis meses, a um preço alvo médio de R$ 9,75. Isso lhe dará, ao final, o direito de indicar até dois nomes para o conselho de administração.
Segundo o Santander, essa estratégia deve estabelecer um piso informal de preço para as ações da Natura, enquanto o BTG Pactual destaca que a presença da gestora adiciona valor e dá mais credibilidade ao processo de reestruturação.
Novas lideranças e recomendações de mercado
Os fundadores deixarão o conselho de administração e passarão para um colegiado consultivo, sendo substituídos por nomes ligados ao mercado, incluindo as executivas independentes Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto. Para a XP e o J.P. Morgan, a mudança é um passo natural que alinha os interesses da companhia aos dos acionistas minoritários.
O Itaú BBA observa que a empresa já vem realizando investimentos substanciais nas marcas, mas que a receita do primeiro trimestre ainda deve refletir fraqueza, transferindo para os resultados do segundo trimestre a prova real de que essas iniciativas estão ganhando tração.
Apesar dos desafios do setor, como a concorrência global e a sensibilidade aos preços das commodities, o tom geral do mercado é construtivo. O Itaú BBA e a XP mantêm recomendação de compra para os papéis da Natura, enquanto Citi, BTG, J.P. Morgan e Santander seguem com recomendação neutra, aguardando sinais mais claros de ganho de participação de mercado.
Opinião
A reformulação na governança da Natura pode ser um divisor de águas para a empresa, trazendo novas perspectivas e estratégias que visam a recuperação e crescimento no competitivo mercado de beleza.





