A Nasa inicia nesta quarta-feira (1º de abril de 2026) a missão Artemis II, um voo histórico rumo à órbita lunar. Com a participação de pesquisadores brasileiros da Embrapa, a jornada visa validar tecnologias de cultivo de alimentos no espaço, essenciais para futuras bases na Lua e em Marte.
O papel do Brasil na missão
O Brasil participa por meio da rede Space Farming Brazil, coordenada pela Embrapa. O objetivo é aplicar o conhecimento brasileiro em agricultura tropical para resolver o desafio de cultivar vegetais em ambientes sem solo fértil, com alta radiação e gravidade reduzida. Essa iniciativa é vital, uma vez que levar comida da Terra para a Lua custa cerca de US$ 1 milhão por quilo, tornando a produção local a única saída viável para bases permanentes.
Técnicas de cultivo inovadoras
Os cientistas testam técnicas como hidroponia (cultivo na água) e aeroponia (cultivo no ar, com nutrientes borrifados nas raízes). O solo lunar, conhecido como regolito, é composto basicamente por pó de rocha rico em alumínio e ferro, mas quase sem nutrientes. Enquanto não se aprende a adaptar as plantas a esse ‘pó lunar’, as hortas espaciais funcionarão em sistemas fechados que economizam até 80% de água e nutrientes.
Experimentos com sementes brasileiras
Recentemente, pesquisadores enviaram sementes de grão-de-bico e batata-doce para testes em microgravidade na Estação Espacial Internacional e em voos da empresa Blue Origin. Após o retorno à Terra, esses materiais serão analisados geneticamente para entender como o estresse do espaço afeta o crescimento e a produtividade das plantas.
O que esperar da Artemis II
A Artemis II é um voo de teste de dez dias com quatro astronautas, que ainda não plantarão comida na Lua. Experimentos com hortas na superfície lunar estão planejados para a missão Artemis IV, prevista para 2028. Durante essa missão, os astronautas atuarão como ‘fazendeiros lunares’, monitorando plantas como nabo e lentilha-d’água sob uma gravidade que é apenas um sexto da que temos na Terra.
Pesquisas além da agricultura
A tripulação da Artemis II também funcionará como ‘cobaia’ para pesquisas biológicas. Um dos destaques é o estudo AVATAR, que utiliza chips com células dos próprios astronautas para investigar como a radiação do espaço profundo afeta a medula óssea e o sistema imunológico. Além disso, serão avaliados o sono, o desempenho mental e o estresse causado pelo isolamento fora da proteção do campo magnético da Terra.
Opinião
A participação do Brasil na missão Artemis II é um marco para a ciência nacional e abre novas possibilidades para a agricultura no espaço, essencial para a colonização lunar.





