Política

Movimento Vozes do Silêncio realiza 6ª Caminhada do Silêncio em São Paulo

Movimento Vozes do Silêncio realiza 6ª Caminhada do Silêncio em São Paulo

São Paulo – A 6ª edição da Caminhada do Silêncio pelas Vítimas de Violência do Estado ocorreu no dia 29 de março de 2026, na capital paulista. A concentração foi, a partir das 16h, em frente ao antigo prédio do DOI-Codi/SP, na rua Tutóia, onde funcionava um dos principais centros de repressão e tortura da ditadura militar brasileira (1964-1985).

O cortejo seguiu pelas ruas da zona sul, com destino ao Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, no Parque Ibirapuera, sob escolta da polícia militar. Os agentes ficaram circulando entre os manifestantes do ato. Organizado pelo Movimento Vozes do Silêncio, iniciativa do Instituto Vladimir Herzog e do Núcleo de Preservação da Memória Política, o ato reuniu centenas de pessoas, incluindo familiares de vítimas e movimentos de direitos humanos.

O Mote e a Denúncia

Com o mote “aprender com o passado para construir o futuro”, as entidades não apenas relembraram os crimes cometidos durante a ditadura militar, mas denunciaram a repetição das violências de estado ao longo de décadas, mesmo após a redemocratização. A coordenadora da área de Memória, Verdade e Justiça do Instituto Vladimir Herzog, Lorrane Rodrigues, chamou atenção para a importância de discutir os impactos da ditadura mesmo após a redemocratização.

Desafios e Recomendações

Uma das ferramentas para alcançar resultados no campo da memória, verdade e justiça, segundo Lorrane, é o conjunto das recomendações da Comissão Nacional da Verdade. “São 49 recomendações ao estado brasileiro, e que até esse momento, foram pouco cumpridas ou parcialmente cumpridas”, relatou. O diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sotilli, afirmou que a Caminhada do Silêncio nasceu como uma resposta coletiva ao autoritarismo e às tentativas de apagamento, destacando a herança de impunidade deixada pela ditadura.

Mobilização e Ação Coletiva

Mais de 30 organizações da sociedade civil, movimentos sociais e entidades de direitos humanos participaram da iniciativa. Neste ano, os movimentos destacaram também a possibilidade defendida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar a aplicação da Lei da Anistia aos casos que envolvam crimes permanentes, como ocultação de cadáver.

Leitura do Manifesto

Perto do final do evento, a organização leu o manifesto da caminhada, que enfatizou a importância da memória e da resistência: “Hoje, caminhamos em silêncio, mas não em ausência…”. A leitura dos nomes das vítimas de violência de estado do período da ditadura e também dos dias atuais foi feita, com os manifestantes respondendo em coro, “presente”.

Opinião

A Caminhada do Silêncio reafirma a importância de lembrar o passado para construir um futuro mais justo e igualitário, essencial para a defesa da democracia.