Política

Ministros do STF endossam atos de Toffoli enquanto ele pede para deixar relatoria do Master

Ministros do STF endossam atos de Toffoli enquanto ele pede para deixar relatoria do Master

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) endossaram e validaram todos os atos e decisões de Dias Toffoli enquanto relator do inquérito do Banco Master. Durante uma reunião fechada realizada no dia 12 de outubro, o colegiado reconheceu a “plena validade dos atos praticados pelo ministro” durante o curso da investigação.

Toffoli, no entanto, pediu para deixar a relatoria do caso Master, e sua saída foi formalizada em um texto conjunto subscrito por todos os dez ministros, incluindo o presidente Edson Fachin. Na nota, os ministros reiteraram seu “apoio pessoal” e “respeito à dignidade” de Toffoli.

Contexto da Investigação

Os movimentos de Toffoli começaram em novembro, quando ele viajou em um jatinho ao lado do advogado de um diretor da instituição para assistir à final da Libertadores da América em Lima. Horas depois, Toffoli se tornaria relator do caso envolvendo o banco e adotaria decisões que reforçaram o controle do processo no STF.

Na mesma semana, ao receber o inquérito do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Toffoli determinou que a investigação permanecesse na Corte e impôs “sigilo absoluto” nos autos. Ele também ordenou que todos os depoimentos fossem colhidos no próprio STF, presencialmente ou por videoconferência, o que foi criticado por delegados da Polícia Federal.

Desdobramentos e Reações

O caso ganhou novo capítulo em 14 de janeiro, quando a Polícia Federal prendeu o cunhado de Daniel Vorcaro em uma operação autorizada por Toffoli. Na decisão, o ministro determinou que os itens apreendidos na nova fase da Operação Compliance Zero fossem enviados ao STF “lacrados e acautelados”, sem análise prévia, o que provocou reações dos investigadores.

Diante da repercussão, Toffoli recuou e autorizou a perícia do material, indicando nominalmente os peritos responsáveis pela análise. Em meio às revelações, ele confirmou que é sócio da empresa Maridt e recebeu dividendos de negócios que envolveram fundos ligados ao entorno de Vorcaro, embora tenha negado amizade com o banqueiro.

Suspeições e Novos Rumos

A Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli após identificar menções ao seu nome no celular de Vorcaro, enviando um relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, para avaliação das medidas cabíveis. O comunicado do STF destaca que o ministro abriu mão da relatoria sem especificar o motivo, ressaltando “o bom andamento dos processos” e “os altos interesses institucionais” como razões para sua decisão.

O ministro André Mendonça foi sorteado como o novo relator do inquérito no Supremo, enquanto a reunião com os ministros foi anunciada no início da sessão do plenário. Fachin entregou a cada ministro uma cópia do relatório da Polícia Federal que cita Toffoli no caso Master.

Opinião

A situação envolvendo Toffoli e o caso Master levanta questões sobre a integridade e a transparência das investigações no STF, refletindo a complexidade das relações entre política e justiça no Brasil.