O Ministro Dias Toffoli autorizou, em 29 de janeiro de 2026, a divulgação de depoimentos no caso do Banco Master, a pedido do Banco Central do Brasil (BC). A medida ocorre após a constatação de contradições entre os depoentes durante as oitivas realizadas em dezembro de 2025.
Os vídeos das oitivas revelam a participação de figuras importantes, como Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). Durante as audiências, Vorcaro e Costa apresentaram versões divergentes sobre a origem das Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), que foram emitidas a partir de créditos inexistentes. A delegada da Polícia Federal, Janaina Pereira Lima Palazzo, descreveu a situação como uma “fabricação de CCBs”.
O BRB, segundo a PF, gastou cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas, que não eram originárias do Banco Master, mas de outras instituições, como Tirreno, The Pay e Cartos. Vorcaro alegou que Costa tinha conhecimento sobre isso, enquanto Costa contradisse afirmando que as carteiras eram originadas pelo Master.
Aquino, em seu depoimento, destacou que não foram encontradas transferências de créditos aos beneficiários finais, o que levanta sérias dúvidas sobre a operação das carteiras. Durante a acareação, a delegada questionou Costa sobre seu receio ao adquirir carteiras que poderiam ser problemáticas. Ele respondeu que não havia evidências concretas de que as carteiras eram “podres”, mas reconheceu que não atendiam ao padrão documental estabelecido.
Vorcaro se declarou como “o mais escrutinado do Brasil” pelo Banco Central, afirmando que todos os seus bens estão declarados. Ele também negou ter recebido qualquer auxílio político para viabilizar a venda do Banco Master ao BRB, expressando frustração com a exposição pública que a situação trouxe.
Aquino comparou o caso do Banco Master ao escândalo do Banco Cruzeiro do Sul, ocorrido em 2012, afirmando que as irregularidades identificadas exigirão uma revisão nos limites de monitoramento das cédulas de crédito.
Opinião
A divulgação dos depoimentos pode ser um passo importante para esclarecer as irregularidades no sistema financeiro e garantir a responsabilização dos envolvidos.





