No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) alerta para a grave situação do trabalho escravo contemporâneo no Brasil, que afeta desproporcionalmente mulheres, especialmente as negras. Este cenário é ainda mais alarmante com os dados de 2025, onde 2.772 pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão, um aumento de 26,8% em relação ao ano anterior.
Desigualdades estruturais e invisibilidade
A secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos do MDHC, Élida Lauris, destaca que o trabalho escravo não se limita mais a correntes ou aprisionamento físico. Hoje, ele se manifesta em jornadas exaustivas, condições degradantes e servidão por dívida. As mulheres representam cerca de 14% das vítimas resgatadas, enquanto aproximadamente 83% se autodeclaram negras.
Setores de resgate e trabalho doméstico
Os principais setores onde as vítimas são resgatadas incluem pecuária, produção de café, carvão e cana-de-açúcar. O trabalho doméstico, uma forma invisibilizada de exploração, é frequentemente confundido com relações de favor, dificultando sua identificação. Paulo Funghi, coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo do MDHC, ressalta que esse tipo de exploração possui um recorte de gênero específico, com as mulheres mais frequentemente em situações de invisibilidade.
Exploração sexual e tráfico de pessoas
A exploração sexual, muitas vezes vinculada ao tráfico de pessoas, também é uma forma grave de trabalho análogo à escravidão. A diretora-executiva do Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (InPACTO), Marina Ferro, enfatiza que o setor privado deve adotar práticas de inclusão e equidade para prevenir e combater essa questão.
Denúncias e proteção
Em 2025, o Disque 100 registrou 644,6 mil denúncias de violações de direitos humanos, com 72,4 mil envolvendo vítimas do gênero feminino. É fundamental que a sociedade amplie a visibilidade sobre essas violações, especialmente no contexto do Dia Internacional da Mulher, para romper ciclos históricos de violência.
Opinião
O aumento do trabalho escravo e a invisibilidade das mulheres negras nesse contexto revelam a urgência de ações efetivas e políticas públicas que garantam direitos e proteção a todas as vítimas.






