Política

Ministério da Saúde inicia tratamento inédito contra malária em crianças indígenas

Ministério da Saúde inicia tratamento inédito contra malária em crianças indígenas

O Ministério da Saúde deu início a um tratamento inovador contra a malária em crianças no Sistema Único de Saúde (SUS). Com essa medida, o Brasil se torna o primeiro país a disponibilizar a tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para crianças com peso entre 10 kg e 35 kg. Este público representa cerca de 50% dos casos de malária no país.

O primeiro lote de 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica será distribuído com um investimento de R$ 970 mil, visando ampliar o controle da doença em todo o território nacional. A entrega do medicamento começou no dia 2 de março e está sendo realizada de forma gradual, priorizando áreas críticas na região Amazônica.

Foco em Territórios Indígenas

O DSEI Yanomami será o primeiro a receber o tratamento, com a entrega de 14.550 comprimidos. O secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, destacou que o ministério tem investido para garantir que medicamentos eficazes cheguem a quem precisa, especialmente em áreas de alta vulnerabilidade.

A malária é um dos principais desafios de saúde pública na região Amazônica, onde fatores geográficos e sociais aumentam a vulnerabilidade à doença. O Ministério da Saúde está intensificando ações de controle, incluindo a entrega de testes rápidos e a contratação de profissionais para reforçar as equipes de saúde.

Tratamento Revolucionário

A nova apresentação do fármaco será administrada em dose única, proporcionando mais conforto e aderência ao tratamento. Esse método visa eliminar completamente o parasita e prevenir recaídas, contribuindo para a interrupção da transmissão da doença.

A tafenoquina pediátrica foi incorporada ao SUS por meio da Portaria nº 64, de 15 de setembro de 2025, e representa uma revolução no enfrentamento da malária por Plasmodium vivax, responsável por mais de 80% dos casos no país. O novo medicamento é uma alternativa mais eficaz em comparação ao tratamento anterior, que exigia até 14 dias de terapia.

Resultados Promissores

Em 2025, o Brasil registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com uma redução de 15% em relação a 2024. A utilização da tafenoquina tem mostrado eficácia na redução de recaídas e na transmissão da doença, além de ter sido associada a medidas como a distribuição de Mosquiteiros Impregnados de Longa Duração (MILD).

Opinião

A implementação do tratamento inédito no SUS representa um avanço significativo no combate à malária, especialmente entre as crianças, que são as mais afetadas pela doença.