Um sargento à paisana do Batalhão de Choque da Polícia Militar matou, a tiros, um homem de 50 anos em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, na noite de quarta-feira (4). Este foi o quarto caso de morte por intervenção policial em 2023, evidenciando uma rotina preocupante nas forças policiais do estado.
Nos últimos três anos, Mato Grosso do Sul registrou 290 mortes por intervenção policial, em uma população de aproximadamente 2,9 milhões de habitantes. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos, onde a população é de 349 milhões, houve 96 execuções nos últimos três anos, resultando em uma taxa alarmante: uma em cada dez mil pessoas foi morta a tiros por representantes do Estado em MS, enquanto nos EUA a média é de uma a cada 3,6 milhões.
Taxas de Execução e Comparação com os EUA
Em 2022, os EUA registraram 47 execuções, o maior número desde 2009, enquanto em Mato Grosso do Sul, a letalidade policial disparou 140% nos últimos três anos. Do total de mortes, 270 eram homens e nove adolescentes foram mortos em confrontos policiais.
Embora a legislação brasileira impeça a adoção da pena de morte, a atuação das forças policiais em MS levanta questões sobre a aplicação de uma forma de pena capital, com a maioria dos casos ocorrendo sem julgamento prévio. Em todos os casos, os policiais alegam agir em defesa própria, mas não há registros de policiais mortos em confrontos nos últimos cinco anos.
Perfil das Vítimas e Impunidade
Das 290 mortes registradas, apenas 1,6% foram de mulheres, refletindo uma disparidade de gênero nas vítimas. Além disso, a impunidade prevalece, com inquéritos do Ministério Público frequentemente arquivados sem punições para os agentes envolvidos.
As estatísticas revelam que, enquanto a pena de morte nos EUA pode levar décadas para ser aplicada, em Mato Grosso do Sul, a letalidade policial ocorre em questão de segundos, destacando um contraste alarmante entre os dois contextos.
Opinião
Os dados de Mato Grosso do Sul exigem uma reflexão profunda sobre a atuação das forças policiais e a necessidade de mecanismos de controle e responsabilização para prevenir abusos e garantir a proteção dos cidadãos.





