O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, destacou a importância das empresas no enfrentamento à violência de gênero durante um evento realizado no Rio de Janeiro em 31 de março de 2026. Rosa enfatizou que o setor produtivo deve atuar em três frentes: prevenção, intervenção e acolhimento, para combater o alarmante número de feminicídios no país.
Atualmente, o Brasil registra seis mulheres mortas por dia devido à violência de gênero, conforme dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, que aponta 2,1 mil vítimas no ano anterior. Rosa criticou a abordagem que se limita apenas ao endurecimento da legislação após os crimes, defendendo que as ações devem focar na prevenção.
Ações das Empresas
Durante o evento, promovido pela Petrobras e pelo Banco do Brasil no Museu de Arte Moderna do Rio, o secretário pediu que as empresas adotem práticas que vão além de suas fronteiras e cobrem ações semelhantes de seus fornecedores. Ele classificou a inação como uma “omissão institucional” e uma falha ética.
Rosa também ressaltou que as empresas devem criar canais seguros para denúncias e não penalizar as vítimas, pois isso contribui para a perpetuação da violência. Ele propôs que as mulheres sejam protagonistas na elaboração de políticas internas, afirmando que a mudança cultural deve ser acompanhada de ações concretas.
Iniciativas de Sucesso
A empresária Luiza Trajano, fundadora da Magazine Luiza, apresentou o Canal Mulher, criado após o feminicídio de uma funcionária em 2017, que oferece suporte psicológico e jurídico às vítimas. Desde 2019, o aplicativo da empresa conta com um botão de denúncia que aciona o número 180.
Trajano elogiou o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio, que envolve governo e sociedade civil e promove uma abordagem direcionada aos homens. A empresária acredita que é fundamental que os homens se conscientizem sobre a gravidade da situação.
O Papel da Mídia
No evento, o diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Andre Basbaum, destacou o papel da mídia pública no diálogo com a sociedade, ressaltando a necessidade de abordar a violência de gênero em suas programações. A diretora de Conteúdo e Programação da EBC, Antonia Pellegrino, acrescentou que a mídia tem a responsabilidade de formar um imaginário que contribua para a transformação social.
Opinião
O evento demonstrou que a união entre governo, empresas e sociedade civil é crucial para combater a violência de gênero no Brasil, e que ações concretas são necessárias para mudar essa realidade alarmante.





