Manifestantes se reuniram neste domingo (1º) na Avenida Paulista, em São Paulo, para exigir punições severas aos adolescentes que torturaram o cão vira-lata Orelha. O ato, que começou às 10h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), foi motivado pela brutalidade cometida contra o animal, que ocorreu na Praia Brava, em Santa Catarina, no dia 4 de janeiro.
A tortura resultou na morte de Orelha, que foi sacrificado por eutanásia um dia após os ferimentos graves que sofreu. Os manifestantes, muitos vestidos de preto e com camisetas estampadas com a imagem do cão, clamavam por justiça e pediam a punição dos adolescentes, que têm cerca de 15 anos e são investigados por ato infracional análogo a maus-tratos.
O protesto, que se estendeu até às 13h, foi marcado por palavras de ordem como “Não são crianças, são assassinos!” e “Não vai cair no esquecimento!”. Além disso, alguns participantes exibiam placas pedindo a redução da maioridade penal, uma questão que voltou a ser debatida no Congresso Nacional.
A psicóloga Luana Ramos expressou sua indignação, afirmando que se os jovens fossem de classes sociais mais baixas, teriam enfrentado consequências mais severas. “Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Já teriam feito justiça com as próprias mãos”, disse. Ela criticou a tentativa dos pais dos adolescentes de minimizar o ato, afirmando que “isso não dá para consertar, não tem como voltar atrás”.
A advogada Carmen Aires também participou do ato, levando seus cães adotados. Ela criticou as penalidades brandas para crimes contra animais, afirmando que são insuficientes e não resolvem a questão da violência. “A lei é recente, mas deve ser revista, porque atrocidades estão sendo feitas e a gente não aceita mais isso”, disse.
O caso de Orelha não é isolado, já que Carmen afirmou que o cão foi a segunda vítima dos jovens. Ela destacou que outro cachorro quase morreu afogado. A instituição Ampara Animal também se manifestou, ressaltando a relação entre a violência contra animais e a violência de gênero.
O casal Thayná Coelho e Almir Lemos, que se deparou com a manifestação enquanto passeava, também se uniu ao protesto, expressando revolta diante da impunidade. Eles mencionaram a questão racial e social, afirmando que os adolescentes agiram com a sensação de que tinham o direito de cometer tal ato.
Opinião
O caso do cão Orelha revela uma preocupante cultura de impunidade em relação à violência contra animais, que merece atenção e ação imediata das autoridades.





