A disputa eleitoral de 2026 ganha um novo contorno com a alta dos combustíveis, que influencia diretamente o cenário político e a percepção do eleitor. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca medidas para conter esse aumento, enquanto a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avança nas pesquisas.
De acordo com a pesquisa da AtlasIntel realizada em 25 de março de 2026, Lula possui 46,6% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro lidera com 47,6%, dentro da margem de erro de um ponto percentual. Esse resultado acende um alerta no Palácio do Planalto, que vê a questão dos combustíveis como crucial para a eleição.
Medidas do governo e resistência dos estados
Em resposta à alta dos combustíveis, o governo federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins em março e anunciou uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores. Além disso, uma proposta de subvenção de R$ 1,20 por litro do diesel está em discussão, com a intenção de dividir os custos entre a União e os estados.
Entretanto, a resistência dos governadores é forte. Durante uma reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), a proposta de dividir o custo da subvenção foi rechaçada. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que não é possível transferir responsabilidades do governo federal para os estados.
Cobrança de Guilherme Boulos
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), criticou os governadores por não reduzirem o ICMS sobre combustíveis. Ele argumentou que a omissão dos governadores agrava a situação dos caminhoneiros e dos consumidores. Boulos destacou que a alta dos combustíveis é uma questão que deve ser enfrentada com urgência.
Estratégia de contenção de preços
A estratégia do governo Lula para lidar com a alta dos combustíveis remete à abordagem adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, quando medidas semelhantes foram implementadas para conter a escalada dos preços. A comparação entre as duas gestões levanta críticas sobre a eficácia dessas ações, especialmente em ano eleitoral.
O especialista em mercado, Cesar Queiroz, expressou ceticismo em relação à proposta do governo, afirmando que pode ser uma tentativa de contornar o problema sem abordar suas causas estruturais. Além disso, a percepção de que o governo tenta transferir o ônus da alta dos combustíveis para os estados pode gerar ainda mais tensão política.
Opinião
A situação dos combustíveis se torna cada vez mais crítica e reflete as dificuldades do governo em lidar com a pressão eleitoral, enquanto a resistência dos governadores pode complicar ainda mais a implementação de soluções efetivas.





