Quando Lula desembarcar em Washington em março de 2026, a pauta com Donald Trump deve incluir temas como a extradição de criminosos e a questão das terras raras. O governo brasileiro busca deixar claro que não quer ser apenas um fornecedor de matéria-prima.
A viagem ocorrerá em um momento estratégico, uma vez que a Suprema Corte americana derrubou as sobretaxas punitivas em 20 de fevereiro de 2026. O governo brasileiro, que resistiu à pressão por negociações apressadas, chega à mesa em uma posição mais forte do que seus concorrentes.
Retórica de Lula e reações
Durante sua visita à Índia, Lula expressou alívio por não ter buscado um acordo imediato após o anúncio do chamado “tarifaço”. Ele classificou a forma como as tarifas foram anunciadas como “totalmente anômala” e “impensável”. Enquanto outros países correram para negociar sob pressão, o Brasil optou pela cautela.
Após a decisão da Suprema Corte, a Casa Branca rapidamente instituiu tarifas emergenciais de 10%, que foram elevadas para 15% no dia seguinte. Essas medidas, com caráter temporário de até 150 dias, visam proteger as contas externas dos EUA.
Impactos no mercado e comércio bilateral
Com a redução das tensões, o Ibovespa atingiu máximas históricas em 22 de fevereiro de 2026. Empresas como Embraer e Taurus Armas viram suas ações se valorizar após a queda das tarifas mais severas. Para o governo brasileiro, a uniformidade da alíquota coloca o Brasil em pé de igualdade com outros competidores globais.
Lula argumenta que a taxação de produtos brasileiros gera inflação nos EUA, afirmando que “se taxar algum produto nosso, vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo norte-americano”.
Objetivos da visita a Washington
No plano político, a agenda de Lula em Washington vai além das tarifas. Ele pretende levar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para discutir cooperação no combate ao crime organizado e solicitar a extradição de criminosos brasileiros que se encontram nos EUA. Outro ponto crucial será o setor de minerais críticos, com o Brasil buscando atrair investimentos americanos para o processamento das terras raras em território nacional.
A passagem pela Índia reforçou essa agenda, com Brasil e Índia estabelecendo uma meta de US$ 30 bilhões em comércio bilateral até 2030, focando em saúde, defesa e tecnologia digital.
Opinião
A visita de Lula a Washington representa uma oportunidade crucial para o Brasil reafirmar sua posição no comércio global e buscar novas parcerias estratégicas.
