O Brasil se encontra em uma encruzilhada econômica, onde, apesar do desemprego no menor nível da série histórica, o endividamento das famílias alcança índices alarmantes. Em janeiro de 2026, 79,5% dos lares brasileiros estavam endividados, com 29,3% enfrentando inadimplência. Essa realidade expõe uma contradição significativa: há trabalho, mas a renda é insuficiente para cobrir as despesas.
A pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revela que 85,4% das pendências estão concentradas no cartão de crédito. Além disso, 12,7% das famílias afirmam não ter condições de quitar suas dívidas. O cenário é ainda mais preocupante quando se considera que os juros médios superam 30% ao ano e os juros do rotativo ultrapassam 300%.
Juros altos e política fiscal de Lula
Especialistas apontam que a política fiscal do governo Lula é um dos principais fatores que contribuem para a alta dos juros. O economista Bruno Corano, CEO da Corano Capital, destaca que a combinação de juros elevados, alta inadimplência e renda baixa torna o cenário econômico brasileiro ainda mais crítico. “Historicamente, conjunturas assim não terminam bem”, alerta.
O crédito consignado, que movimentou R$ 52 bilhões até janeiro de 2026, é visto como uma faca de dois gumes. Embora amplie o acesso ao crédito, também pode incentivar um novo ciclo de endividamento, especialmente quando as famílias utilizam esses recursos para cobrir despesas cotidianas.
Risco de superendividamento
O cenário de superendividamento é agravado pela baixa educação financeira e pela escassez de recursos. O CEO da fintech Monest, Thiago Oliveira, ressalta que a média de contas em instituições financeiras diferentes é de cinco por brasileiro, o que camufla o risco real de endividamento excessivo. Além disso, a adesão a jogos de apostas surge como uma armadilha, com 57% dos endividados relatando que seus problemas financeiros começaram após entrarem nas apostas.
O futuro das finanças no Brasil
As projeções para o futuro não são otimistas. O economista Elber Laranja afirma que as medidas de expansão de crédito, embora sejam soluções pontuais, não resolvem a questão estrutural do endividamento. O que se observa é um sistema endividado, dependente de crédito e com uma política fiscal fragilizada, que pode levar a consequências severas para a economia brasileira.
Opinião
A situação atual exige uma reflexão profunda sobre as políticas econômicas em vigor e a necessidade de soluções que realmente promovam a sustentabilidade financeira das famílias brasileiras.





