Em discurso neste sábado (21), durante a 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do I Fórum Celac-África, em Bogotá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as crescentes intimidações à soberania da América Latina e do Caribe, além da retomada da política colonialista por parte dos Estados Unidos (EUA).
“Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?”, questionou Lula, reforçando sua crítica à falta de atuação do Conselho de Segurança da ONU.
Pressão sobre a Bolívia e o uso de armamentos
O presidente destacou a pressão dos EUA sobre a Bolívia para a venda de lítio, um mineral crítico utilizado na confecção de baterias elétricas. Lula lembrou que, em 2022, foram gastos US$ 2,7 trilhões em armamentos, enquanto 630 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo.
“O que estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou Lula, criticando a atuação do conselho em conflitos como os do Irã, Gaza, Líbia, Iraque e Ucrânia.
Multilateralismo e cooperação
O presidente também enfatizou a importância da cooperação entre os países africanos e latino-americanos, ressaltando que os 55 países da União Africana e os 33 da Celac somam cerca de 2,2 bilhões de pessoas. “Precisamos manter o Atlântico Sul livre de disputas geopolíticas alheias”, defendeu.
Lula concluiu seu discurso pedindo um esforço conjunto para combater a fome e enfrentar as mudanças climáticas, afirmando que essa é a verdadeira guerra a ser vencida.
Opinião
A crítica de Lula ao colonialismo e à falta de ação da ONU reflete a urgência de um novo modelo de cooperação internacional que priorize a soberania e o desenvolvimento dos países mais vulneráveis.





