O presidente Lula (PT) defendeu o fortalecimento do papel dos sindicatos nas negociações sobre o fim da escala 6×1. Durante a II Conferência Nacional do Trabalho, realizada em São Paulo no início de março de 2026, o mandatário ressaltou que a mudança na jornada deve ser construída por meio de negociações intermediadas por entidades sindicais.
“O que eu pondero aos dirigentes sindicais e aos empresários é que é melhor vocês construírem negociando do que terem que engolir uma coisa aberta e depois recorrer à Justiça”, afirmou Lula. Ele alertou que, se um projeto único for aprovado no Congresso, o resultado será um aumento significativo de greves e processos na Justiça do Trabalho.
Proposta de redução da jornada enfrenta resistência
A proposta de redução da jornada visa facilitar a aprovação no Congresso, sendo uma das pautas prioritárias do governo. Contudo, há forte resistência de setores da economia, que temem desemprego e uma queda de até 16% do PIB com a mudança. Estudos recentes indicam que a redução da jornada pode gerar danos mais graves que a recessão da era Dilma.
O papel dos sindicatos e a reforma trabalhista
A reforma trabalhista de 2017, que visou fortalecer a negociação, paradoxalmente reduziu a força dos sindicatos. Segundo a advogada Giane Maria Bueno, as novas regras permitiram que acordos individuais prevalecessem sobre normas coletivas, enfraquecendo a representatividade sindical.
Mais de 100 entidades do setor produtivo assinaram um manifesto em defesa de um debate responsável sobre o fim da jornada 6×1. A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) defende que a negociação coletiva é a melhor alternativa para modernizar as relações de trabalho, considerando as disparidades entre os setores.
Opinião
A proposta de Lula de dar protagonismo aos sindicatos nas negociações sobre a jornada 6×1 reflete a necessidade de um debate mais aprofundado sobre os impactos econômicos e sociais dessa mudança.





