O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou o ano eleitoral com um pacote de R$ 2,7 bilhões destinado à reforma agrária, reforçando sua aproximação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A medida, que surge após cobranças do MST, inclui desapropriações de terras em diversos estados, como São Paulo, Bahia, Pará e Pernambuco.
Meta ambiciosa para 2026
A meta do governo até o final de 2026 é assentar e regularizar 295 mil famílias por meio do programa “Terra da Gente”, lançado em abril de 2024. No final de janeiro, o governo decretou sete imóveis rurais como de interesse social, totalizando cerca de 5,7 mil hectares.
Reações e tensões no setor agropecuário
A postura do governo gerou reações, como a do deputado Pedro Lupion (Republicanos), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que afirmou que as ações do governo aumentam a insegurança jurídica no campo. “É o governo, mais uma vez, falando para a própria bolha”, criticou.
Desapropriações em destaque
O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, declarou que 2026 será o ano com a “maior entrega” de desapropriações no terceiro mandato de Lula. Ele mencionou que as ações entre fevereiro e março atenderão mais de 26 mil famílias ligadas ao MST.
Engajamento eleitoral do MST
Durante o 14º Encontro Nacional do MST, realizado em Salvador, Lula incentivou a participação do movimento nas eleições, com o anúncio de 18 candidaturas ao Legislativo, sendo 12 para assembleias estaduais e 6 para a Câmara dos Deputados. Atualmente, o MST ocupa três cadeiras no Congresso.
Projeto de Retomada Econômica
O governo também anunciou o Projeto de Retomada Econômica e Agroecológica dos Assentamentos do Rio Doce, com um investimento de R$ 49,9 milhões para 52 assentamentos na região. Essa iniciativa visa melhorar a infraestrutura e a produção agrícola nos assentamentos.
Críticas ao ritmo da reforma agrária
Em julho do ano passado, o MST expressou insatisfação com o ritmo das reformas, questionando: “Lula, cadê a reforma agrária?”. Em resposta, o governo entregou 751 títulos de regularização fundiária, afirmando que o ritmo de assentamentos está se acelerando.
Opinião
A aceleração das desapropriações por parte do governo Lula destaca a complexidade da reforma agrária no Brasil, refletindo tensões entre diferentes setores e a luta por justiça social no campo.
