As últimas eleições presidenciais no Brasil foram marcadas por uma polarização intensa, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançando 50,9% dos votos válidos, pouco mais de 2 milhões a mais que Jair Bolsonaro (PL). À medida que o país se prepara para o pleito de 2026, um novo estudo revela que uma parcela significativa da população, conhecida como ‘eleitores invisíveis’, pode ser decisiva para o resultado.
O Brasil Invisível
A pesquisa intitulada ‘O Brasil Invisível’, realizada pela organização sem fins lucrativos More in Common, entrevistou mais de 10 mil pessoas e identificou que 54% dos eleitores não se sentem representados por nenhum dos dois principais grupos políticos, os progressistas e os conservadores. Esses eleitores estão divididos em duas categorias: desengajados e cautelosos, cada uma representando 27% do total de eleitores.
Características dos Eleitores Invisíveis
Os desengajados, que constituem uma parte significativa desse grupo, demonstram uma forte desconfiança em relação ao sistema político e evitam confrontos ideológicos. Em 2022, 30% dos desengajados votaram em branco ou nulo, e 65% afirmam não simpatizar com nenhum partido. Além disso, 31% deles são nordestinos e 26% consideram importante participar de manifestações políticas.
Impacto nas Eleições de 2026
O cientista político Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, destaca que o ‘Brasil invisível’ não apenas influenciará a presidência, mas também será crucial nas eleições estaduais e legislativas. Esse eleitor tende a favorecer candidatos que priorizam a gestão eficiente e soluções concretas, em vez de se engajar em disputas ideológicas.
Desgaste da Polarização
Coimbra observa que a polarização política no Brasil está passando por um desgaste, com o eleitorado demonstrando sinais de exaustão em relação à retórica binária. O foco agora se desloca para a eficiência administrativa e a segurança jurídica, o que poderá determinar a vitória nas próximas eleições.
Opinião
O fenômeno do eleitor invisível revela a necessidade de uma nova abordagem política, onde a busca por soluções práticas e a capacidade de diálogo prevaleçam sobre as disputas ideológicas.





