Em um cenário de forte fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, Luis Stuhlberger, gestor do fundo multimercado Verde, destacou que os investidores globais parecem desconsiderar a questão eleitoral no país. Durante evento do UBS BB, realizado em 27 de setembro de 2023, Stuhlberger comentou que, segundo a percepção do mercado, um eventual governo Lula 4 não seria muito pior do que a situação atual.
Até o momento, os ingressos de capital externo na B3 superam as saídas em R$ 17,7 bilhões em 2023, um fluxo que se mantém mesmo diante de um modelo econômico marcado pela expansão fiscal. No entanto, o Brasil apresenta crescimento econômico, baixo desemprego e uma taxa de juros elevada, atualmente em 15% ao ano.
Stuhlberger observou que há uma expectativa de alta nos ativos brasileiros, apesar da ignorância dos investidores em relação ao cenário eleitoral. Ele também atualizou a estimativa de que investidores globais detêm cerca de US$ 36 trilhões em dívida e ações nos Estados Unidos. “Se 3% disso vai para o mundo, é um estado mundial vindo para um mercado pequeno como o Brasil”, afirmou.
O gestor ainda ressaltou que a bolsa brasileira passou por dois momentos de valorização. O primeiro ocorreu no ano passado, com a diminuição do prêmio em relação às NTN-Bs, conhecido como “equity risk premium” (ERP). O segundo movimento, que está em andamento, envolve a expansão dos múltiplos de ações ligadas à cadeia de commodities e ao setor financeiro, impulsionado pelo fluxo de capital externo. Empresas como Vale e Petrobras desempenharam um papel crucial nesse ajuste.
Além disso, o preço/lucro do Ibovespa subiu de 7 vezes para 10, 11 vezes, embora ainda esteja distante dos índices americanos, como o Nasdaq, que está na casa de 30 vezes, e o S&P 500, que apresenta 23 vezes.
Opinião
A análise de Luis Stuhlberger evidencia a confiança dos investidores internacionais no potencial do Brasil, mesmo em tempos de incertezas políticas.





