A política comercial agressiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, motivou a Europa a buscar novas parcerias internacionais e impulsionou a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia, afirmou Josep Borrell, ex-vice-presidente da Comissão Europeia, durante seminário na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.
Oportunidades e Desafios
Borrell considera que o acordo apresenta vantagens potenciais para ambas as partes, mas destacou que o sucesso vai depender da forma como será implementado. “O acordo pode ser um ganha-ganha, mas tudo dependerá de como for aplicado. No fim das contas, implementação é a palavra-chave”, disse ele.
O ex-vice-presidente da Comissão Europeia comemorou a adoção provisória do acordo pela Comissão Europeia antes da análise pelo Tribunal de Justiça do bloco europeu. Ele estimou que a conclusão dessa etapa poderia atrasar a implementação do tratado em mais dois anos. “Fico feliz que a Comissão tenha decidido que deve ser aprovada provisoriamente antes que a Corte de Justiça decida, pois isso levaria mais dois anos. E certamente o acordo não poderia esperar dois anos”, completou.
Inércia Política e Guerra Tarifária
Borrell também comentou que a negociação comercial entre os dois blocos sofreu uma “inércia política prolongada”, que só foi interrompida com a guerra tarifária iniciada por Trump, no ano passado. “As negociações [do acordo Mercosul-UE] estavam em andamento desde 2004 e, se não fosse pela política tarifária agressiva do presidente Trump, talvez não tivéssemos superado a inércia política da qual sofremos por tanto tempo”, afirmou.
Preocupações com o Setor Agrícola
Ao abordar a preocupação de que o acordo possa sacrificar o setor agrícola europeu devido à vantagem comparativa de países como Brasil, Borrell reconheceu que, em qualquer acordo comercial, existem setores com vantagens e desvantagens que devem se adaptar à concorrência. “A América Latina exporta muito mais para a Europa. O impacto em termos de crescimento econômico será muito maior para a América, mas também será distribuído por setores”, observou.
Exigências Ambientais
O alto representante da UE para negócios estrangeiros e política de segurança até 2024 também se mostrou confiante sobre a implementação de mecanismos para proteger os produtores em ambos os continentes e refutou a alegação de que produtos do Mercosul entrarão na Europa com exigências ambientais menos rigorosas. “Estou convencido de que os receios expressos especialmente na Europa não serão confirmados pela realidade, e que todos os consumidores terão acesso a produtos melhores e a preços mais adequados.”
Opinião
A discussão sobre o acordo Mercosul-UE é crucial para o futuro econômico de ambos os blocos, e a implementação cuidadosa será vital para evitar descontentamentos e garantir benefícios mútuos.
