A Inteligência Artificial pode transformar a reciclagem de lixo eletrônico em uma atividade mais rápida, segura e lucrativa, através da automação do processo de desmontagem de aparelhos. Segundo o doutor em engenharia e especialista em robótica José Francisco Saenz, em entrevista ao portal Terra, já é possível treinar robôs para separar componentes e reaproveitar materiais sem expor trabalhadores a substâncias tóxicas, como mercúrio e chumbo.
A promessa surge em meio às preocupações ambientais provocadas pela expansão da própria IA. Os data centers que sustentam essa tecnologia consomem grandes volumes de água e eletricidade, dependem de minerais e elementos raros extraídos de forma pouco sustentável e contribuem para o aumento das emissões de gases de efeito estufa.
IA abre caminho para reciclagem mais eficiente
No Brasil, são 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico produzidos anualmente, com apenas 3% desse total reciclado. O projeto Circoola Brasil, no Rio de Janeiro, busca enfrentar essa realidade. A iniciativa utiliza tecnologia para coletar produtos eletrônicos, como computadores e celulares, na casa das pessoas, identificando e categorizando os materiais para destinação adequada.
O projeto é considerado promissor e conta com o uso de robôs assistidos por IA para desmontar eletrônicos. José Francisco Saenz participou de um projeto na Alemanha, financiado pela União Europeia em 2019, onde foram feitas tentativas de automatizar a reciclagem com robôs. Após dois anos e meio de pesquisa, Saenz afirma que é possível ensinar robôs a desmontar diversos tipos de aparelhos, tornando o processo de reciclagem mais rápido e rentável.
Reciclagem de eletrônicos segue em ritmo lento
Segundo o monitor global de lixo eletrônico da Organização das Nações Unidas, o Brasil está à frente de outros países da América do Sul na produção desses resíduos, representando uma perda significativa em recursos naturais. A Circoola Brasil busca mudar esse cenário, viabilizando o desmonte e a reutilização de materiais com segurança e maior aproveitamento.
Além disso, estima-se que cerca de US$ 62 bilhões em recursos naturais sejam descartados como lixo eletrônico no mundo. Muitos dos materiais eletrônicos contêm metais raros e preciosos, como ouro e prata, que são frequentemente desperdiçados.
O tesouro escondido do lixo eletrônico
Com mais de 5,78 bilhões de usuários únicos de telefones no mundo, a quantidade de lixo eletrônico gerado é alarmante. Um iPhone, por exemplo, contém metais valiosos que, se reciclados corretamente, poderiam ser reaproveitados. Contudo, a taxa de reciclagem permanece baixa, e iniciativas como a Circoola Brasil são essenciais para mudar essa realidade.
Opinião
É fundamental que a sociedade se conscientize sobre a importância da reciclagem de lixo eletrônico. Projetos como o Circoola Brasil mostram que a tecnologia pode ser uma aliada na busca por um futuro mais sustentável.
