Um estudo recente do Ipea, publicado em 10/02/2026, analisou os efeitos da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e concluiu que o impacto nos custos operacionais das empresas seria inferior a 1%. Essa medida, que visa promover ganhos de produtividade e ampliar o mercado de trabalho, abrange setores como indústria e comércio, onde estão mais de 13 milhões de trabalhadores.
Segundo a nota técnica, a redução da jornada traria um custo médio do trabalho celetista de 7,84% a mais. No entanto, considerando a participação do trabalho nos custos totais de cada setor, o impacto seria modesto, especialmente em grandes empregadores, como os da fabricação de produtos alimentícios e comércio atacadista.
Impactos Setoriais e Capacidades de Absorção
Os dados indicam que a maioria dos setores produtivos tem capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho. A análise realizada pelos técnicos Felipe Pateo, Joana Melo e a bolsista Juliane Círiaco também destaca que o Brasil já enfrentou choques significativos relacionados ao custo do trabalho, como os aumentos do salário-mínimo, sem causar efeitos negativos sobre o emprego.
Com a jornada atual de 44 horas semanais, cerca de 74% dos trabalhadores estão nessa condição, recebendo em média apenas 42,3% do salário de quem trabalha 40 horas, que é de R$ 6.211. Essa desigualdade se reflete também na escolaridade, onde 83% dos trabalhadores com até o ensino médio completo estão em jornadas estendidas.
Opinião
A redução da jornada de trabalho pode ser uma oportunidade para melhorar as condições de trabalho e reduzir desigualdades no mercado, mas requer um olhar atento às especificidades de cada setor e porte de empresa.
