O Instituto Boimamão, com 27 anos de atuação e reconhecido como Pontão de Cultura pelo Ministério da Cultura, está em uma nova fase. A organização, que já impactou mais de 45 mil pessoas através de 150 projetos, lançou uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar sua mudança de sede, após o encerramento do contrato de comodato do terreno onde operou por quase três décadas no bairro Sertãozinho.
A mudança se faz necessária devido à incompatibilidade entre as atividades culturais e educativas do Instituto e o crescimento industrial da região. Segundo Rosane Luchtenberg, fundadora e coordenadora do Instituto, o Sertãozinho passou por transformações que tornaram o ambiente inadequado para suas atividades. “O que era um ambiente propício para nossas atividades de preservação cultural e educação ambiental se tornou uma área industrial, com tráfego intenso de caminhões e ruídos constantes”, explica.
Nova sede e desafios financeiros
A prefeitura de Bombinhas já cedeu um novo terreno no bairro Canto Grande, mas a mudança representa um desafio logístico e financeiro significativo. O processo envolve desmontar as estruturas históricas do antigo engenho, transportar com segurança um acervo de mais de 800 peças históricas e adaptar o novo espaço para as atividades culturais e educativas.
A professora Yolanda Flores e Silva, da Univali, ressalta a importância do Museu Comunitário Engenho do Sertão, afirmando que ele é um espaço que transforma vidas ao aliar sustentabilidade humana, educacional e ambiental.
Campanha de financiamento coletivo
A campanha de financiamento coletivo está disponível na plataforma Catarse até maio de 2026. Os apoiadores podem contribuir com contrapartidas que vão desde souvenirs personalizados até experiências culturais exclusivas. Além disso, o Instituto aceita doações diretas via desconto no Imposto de Renda através do projeto PRONAC 255680 (Lei Rouanet).
Rosane destaca que, enquanto Bombinhas se consolida como um destino turístico, a perda de espaços como o Instituto pode significar a interrupção de programas educativos e o risco de deterioração de um acervo histórico insubstituível.
Opinião
A mudança do Instituto Boimamão é um reflexo das tensões entre desenvolvimento urbano e preservação cultural, um dilema que merece atenção e apoio da comunidade.





