A produção de cevada no Brasil está em crescimento, com um total que varia entre 400 mil a 500 mil toneladas por ano, especialmente na região sul do país. O Paraná se destaca como o maior produtor nacional, graças a condições climáticas favoráveis e uma forte organização cooperativista.
A demanda da indústria cervejeira brasileira, no entanto, supera 800 mil toneladas anuais, o que leva à necessidade de importação de cevada para atender padrões específicos de qualidade, conforme aponta Salatiel Turra, analista do Sistema Ocepar.
Investimentos e Desafios
A Maltaria Campos Gerais, localizada em Ponta Grossa, é a maior do Brasil, com uma capacidade de produção de 240 mil toneladas de malte anualmente, demandando cerca de 300 mil toneladas de cevada. Recentemente, a Ambev investiu R$ 1 bilhão na construção da primeira fábrica de garrafas de vidro do estado, que terá a capacidade de produzir até 600 milhões de garrafas por ano.
Entretanto, o cenário atual é de cautela. O Grupo Heineken anunciou a demissão de 6 mil funcionários em sua operação global, o que representa cerca de 7% do total de empregados, devido a um crescimento menor nos lucros.
Mudanças nos Hábitos de Consumo
Um fator preocupante é a mudança nos hábitos de consumo, especialmente entre a Geração Z. Segundo pesquisa do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), entre 46% e 64% dos jovens entre 18 e 24 anos não consumiram álcool no último ano, o que pode impactar as decisões de expansão das maltarias e a adoção de novas tecnologias.
Novas Oportunidades para a Cevada
Apesar dos desafios, Turra acredita que a cevada pode ter um futuro promissor fora da indústria cervejeira, podendo ser utilizada na alimentação humana e animal. Avanços na pesquisa em genética podem permitir que o Brasil se torne autossuficiente em cevada no médio prazo.
Opinião
A indústria cervejeira precisa se adaptar rapidamente às novas demandas dos consumidores, buscando alternativas e diversificando o uso da cevada para garantir sua sustentabilidade.





