Política

Indígenas invadem terminal da Cargill em Santarém e protestam contra Lula

Indígenas invadem terminal da Cargill em Santarém e protestam contra Lula

Um grupo de indígenas invadiu, na madrugada de 21 de fevereiro de 2026, os escritórios da multinacional agrícola Cargill no porto de Santarém (PA) em protesto contra o Decreto 12.600 do governo Lula (PT). Este decreto, assinado em agosto de 2025, inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND), visando facilitar o transporte fluvial de grãos na região amazônica.

As manifestações não se limitaram a Santarém; também ocorreram em frente à sede da Cargill em São Paulo. A empresa classificou as ações como “violentas”, afirmando que um grupo vandalizou a fachada do seu escritório na capital paulista e que o terminal em Santarém foi invadido após um mês de bloqueio por grupos indígenas.

De acordo com a Cargill, os funcionários presentes durante a invasão buscaram abrigo em um local seguro. A empresa está em contato com as autoridades para garantir uma desocupação “ordeira e segura”. Entretanto, as organizações indígenas alegam que o decreto autoriza o uso de explosivos para dragagem nos rios, o que poderia devastar a fauna local.

Reações e Negociações

O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), que representa 14 povos do Baixo Tapajós, declarou que a invasão foi uma resposta a um “silêncio institucional” e à falta de respostas às suas demandas. Em uma carta aberta, os indígenas afirmaram que a decisão foi coletiva e não impulsiva, e que estão abertos ao diálogo, mas continuarão mobilizados até que o decreto seja revogado.

A Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) repudiou os atos de violência, afirmando que as reivindicações dos indígenas devem ser tratadas pelo Poder Público, e não por meio de ações contra empresas privadas.

Em resposta às críticas, o governo federal enviou representantes ao Pará e ressaltou que as obras de dragagem são de rotina e não relacionadas ao decreto. Como gesto de negociação, o pregão eletrônico para a dragagem foi suspenso e um grupo de trabalho interministerial foi criado para discutir o tema.

Decisões Judiciais

Recentemente, a Justiça negou um pedido da Cargill para desocupar o escritório à força, considerando que essa ação poderia agravar o conflito. A decisão da Justiça reflete a complexidade da situação e a necessidade de diálogo entre as partes envolvidas.

Opinião

A situação em Santarém evidencia a tensão entre interesses econômicos e a preservação dos direitos indígenas, destacando a urgência de um diálogo efetivo e respeitoso entre o governo e as comunidades afetadas.