Santa Catarina

Indígenas invadem terminal da Cargill em Santarém e exigem revogação de decreto

Indígenas invadem terminal da Cargill em Santarém e exigem revogação de decreto

Na madrugada do dia 21 de fevereiro de 2026, um grupo de indígenas invadiu o terminal da Cargill no porto de Santarém, no Pará. A ação é uma resposta ao Decreto 12.600 do governo federal, que permite a desestatização de hidrovias na Amazônia, levantando preocupações sobre os impactos ambientais nos rios Madeira, Tocantins e Tapajós.

Os manifestantes, que representam o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), afirmam que as obras necessárias para facilitar o transporte de grãos podem causar danos irreversíveis à fauna local e ao ecossistema dos rios, essenciais para sua sobrevivência. Eles exigem a revogação do decreto como condição para encerrar a mobilização.

Posição da Cargill e do Governo

A Cargill classificou as invasões como atos violentos e destacou que não tem controle sobre as decisões políticas relacionadas ao decreto. Durante a invasão, funcionários da empresa foram forçados a se abrigar em local seguro até serem resgatados pelas autoridades.

O governo federal, por sua vez, defende que as dragagens são ações rotineiras necessárias para a navegação e não estão diretamente ligadas aos estudos de concessão do novo decreto. Em uma tentativa de diálogo, o governo suspendeu a contratação de uma empresa para realizar serviços no rio Tapajós e criou um grupo de trabalho interministerial para discutir o tema com a sociedade civil.

Decisões Judiciais e Tensão no Local

A situação no terminal da Cargill continua tensa. A Justiça Federal já havia determinado a desocupação do local em outras ocasiões, mas um juiz recentemente negou o pedido da empresa para retirar os manifestantes à força, considerando que uma ação violenta poderia agravar o conflito e colocar vidas em risco.

Os indígenas liberaram algumas vias para permitir o fluxo de mercadorias como um gesto de paz, mas continuam a pressionar o governo, cobrando coerência do presidente Lula em relação aos seus discursos sobre a preservação da Amazônia.

Opinião

A invasão do terminal da Cargill em Santarém reflete a crescente tensão entre os direitos indígenas e as políticas de desenvolvimento na Amazônia, exigindo um diálogo mais efetivo entre as partes envolvidas.