Política

Indígenas do Acampamento Terra Livre contestam projetos da Belo Sun e Ferrogrão

Indígenas do Acampamento Terra Livre contestam projetos da Belo Sun e Ferrogrão

Indígenas de diversas etnias e regiões do país se mobilizaram em Brasília no dia 06 de abril de 2026, durante o Acampamento Terra Livre, para protestar contra projetos privados que ameaçam seus territórios demarcados. A manifestação busca chamar a atenção para iniciativas que, segundo as lideranças, avançam sobre áreas sensíveis e ampliam os riscos ambientais e sociais.

Projetos em foco

Um dos principais alvos dos protestos é o projeto da mineradora canadense Belo Sun, que planeja explorar ouro na região da Volta Grande do Xingu, no Pará. Embora o empreendimento seja considerado potencialmente o maior do tipo no Brasil, enfrenta forte resistência das comunidades locais, que questionam o processo de consulta e os impactos ambientais previstos.

“Já tem dez anos que a gente luta pelo reconhecimento da comunidade Marapanim e a Funai faz pouco caso”, afirmou Taiani Xypai, uma das lideranças do movimento, destacando falhas no mapeamento de grupos na região. As lideranças indígenas alegam que o diálogo promovido pela empresa não respeitou as exigências da Convenção 169 da OIT, que trata da consulta prévia a povos tradicionais.

Exclusão de comunidades

A crítica se estende à exclusão de comunidades que, embora não estejam dentro do raio de 10 quilômetros do projeto, afirmam sofrer impactos indiretos. Um relatório do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) revela que ao menos dez comunidades foram ignoradas no processo de licenciamento, mesmo após solicitarem participação formal.

Em resposta, a Belo Sun defende que o empreendimento “segue os ritos legais aplicáveis” e que o processo foi acompanhado e validado pelas autoridades competentes. O presidente da empresa, Adriano Espeschit, declarou que houve aprovação de etnias dentro da área considerada direta.

Projetos do governo na mira

Além de iniciativas privadas, projetos do governo também estão na mira dos indígenas, como a Ferrogrão, uma ferrovia federal planejada para ligar os estados do Mato Grosso e Pará, cortando áreas da Amazônia. As lideranças associam a obra a interesses logísticos e empresariais, com impactos significativos no rio Tapajós.

“O Tapajós já mostrou a sua força por mais de um mês, ocupando a Cargill, para derrubar o decreto 12.600, que ia privatizar o nosso rio”, disse Alessandra Munduruku, uma das lideranças da etnia. O processo de implantação da Ferrogrão será retomado nesta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A ferrovia, que terá cerca de 933 quilômetros de extensão, ligará o município de Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), criando um corredor estratégico para o escoamento de grãos pela região amazônica. Embora defensores do projeto afirmem que ele pode reduzir custos de transporte e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro, as críticas relacionadas a impactos ambientais e sociais persistem.

Opinião

Os protestos dos indígenas evidenciam a necessidade urgente de respeitar os direitos e a consulta prévia, garantindo que suas vozes sejam ouvidas em decisões que afetam suas terras e modos de vida.