O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que a Casa priorizará na próxima semana a votação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE). Este tratado, que foi negociado ao longo de 26 anos, visa criar a maior área de livre comércio do mundo, em resposta às incertezas geradas pela possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Motta destacou, em publicações nas redes sociais, que o Brasil precisa buscar previsibilidade nas relações econômicas internacionais, especialmente diante das dúvidas sobre a política comercial americana. A estratégia do governo, segundo ele, passa pela ratificação do tratado com os europeus, que pode abrir oportunidades para exportações brasileiras.
Designação do Relator
O deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), ex-ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, foi designado como relator do acordo. Ele possui experiência na construção do tratado e é presidente de seu partido. A movimentação da Câmara ocorre em um cenário de apreensão crescente no governo e no setor produtivo, devido à possibilidade de um novo ciclo de medidas protecionistas dos EUA, conhecido como “tarifaço”.
Impactos e Oportunidades
A eventual elevação de tarifas sobre importações pode afetar cadeias globais e pressionar exportadores brasileiros, especialmente em setores como aço, alumínio, agronegócio e manufaturados. Especialistas afirmam que, em um ambiente mais hostil ao comércio internacional, acordos bilaterais ou regionais se tornam essenciais para diversificar mercados e reduzir riscos.
O acordo Mercosul-UE prevê uma redução tarifária gradual, ampliação de acesso a mercados e regras comuns em áreas como compras governamentais e propriedade intelectual. Para o Brasil, a implementação do acordo pode abrir oportunidades relevantes para as exportações industriais e agropecuárias, além de atrair investimentos. No entanto, o texto ainda enfrenta resistências políticas e ambientais, especialmente de países europeus como a França.
Reunião entre Líderes
A priorização da votação pelo presidente da Câmara sinaliza um alinhamento do Legislativo com a agenda do governo de inserção internacional do Brasil e uma resposta institucional às turbulências do comércio global. Enquanto isso, o debate sobre o endurecimento comercial dos EUA continuará a influenciar decisões estratégicas sobre política externa e comércio exterior. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump devem se reunir em Washington no próximo mês.
Opinião
Acelerando a votação do acordo Mercosul-UE, a Câmara demonstra sua preocupação com as incertezas do comércio internacional e busca fortalecer a posição do Brasil em um cenário global desafiador.
