Milhares de pessoas estão vivendo um verdadeiro caos no Líbano, onde a guerra entre Israel e o grupo Hezbollah se intensificou nos últimos dias. O conflito já expulsou mais de 1 milhão de pessoas de suas casas, resultando em mil mortos e 2,5 mil feridos.
Desespero e incerteza entre brasileiros
O Líbano abriga a maior comunidade de brasileiros no Oriente Médio, com cerca de 22 mil brasileiros vivendo no país em 2023. Entre eles, está o libanês naturalizado brasileiro Hussein Melhem, de 45 anos, que reside em Tiro, uma das áreas mais afetadas pelos bombardeios. Ele relatou à Agência Brasil que, na madrugada do dia 2 de março, acordou com o prédio tremendo e teve que deixar a cidade rapidamente, levando apenas algumas roupas.
“A situação causa raiva, muita tristeza e incertezas”, desabafa Melhem, que possui uma padaria em Tiro. Ele não pode mais trabalhar e descreve a cidade como devastada, com ruas desertas e muitas famílias vivendo em condições precárias. “Meu prédio foi bombardeado e não sei o que farei a seguir”, completou.
Relatos de medo e trauma
Outro brasileiro-libanês, Aly Bawab, de 58 anos, chegou ao Líbano em 28 de fevereiro e também se deparou com o horror do conflito. Ele estava em Beirute quando um edifício desmoronou devido a um ataque aéreo. “É dia e noite, não tem horário. O corpo treme sem controle durante as explosões”, relata.
Bawab, que é casado e pai de três filhos, tenta manter a calma em meio ao desespero, mas admite que o medo é constante. “É bastante traumatizante, você vê essa situação em que as pessoas não sabem o que fazer”, disse.
Escalada do conflito
A situação no Líbano se agravou desde o início dos ataques israelenses, com a Força de Defesa de Israel afirmando ter atingido 2 mil alvos no país desde 2 de março e alegando a morte de 570 membros do Hezbollah. Em resposta, o Hezbollah afirmou ter lançado 39 operações militares em um único dia.
A historiadora Beatriz Bissio, da UFRJ, compara a situação no Líbano à de Gaza, afirmando que o que ocorre no sul do Líbano é uma versão do genocídio. “É indescritível o sofrimento da população, mas também é indescritível a resiliência e a decisão de não abandonar essa terra”, conclui.
Opinião
O cenário no Líbano é alarmante e exige atenção internacional. A comunidade brasileira no país vive momentos de incerteza e medo, e é fundamental que esforços sejam feitos para proteger os civis e buscar uma solução pacífica para o conflito.





