O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), intensificou sua posição em defesa dos motoristas de aplicativo após receber uma notificação extrajudicial da Uber do Brasil, que o instou a comprovar insinuações de corrupção envolvendo agentes públicos. Boulos, em resposta, afirmou que o governo não se intimidará com a advertência da empresa.
Em declarações feitas no dia 27 de março de 2026, Boulos declarou: “Podem ameaçar processar à vontade. O Governo do Brasil não vai recuar em defender os motoristas de aplicativo e nem se intimidar por ameaças de uma empresa estrangeira. Aqui não!”. A notificação foi enviada no dia anterior, 26 de março, e contestava declarações do ministro que, segundo a empresa, sugeriam corrupção em favor da plataforma.
Taxas de Retenção e Críticas
Boulos tem sido um crítico constante das taxas de retenção aplicadas pela Uber, que, segundo ele, podem chegar a 50% do valor das corridas. Este percentual, no entanto, foi contestado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que afirmou que a retenção varia conforme as condições do mercado e pode, em alguns casos, ser reduzida a 0%.
O ministro está apostando na regulamentação dos aplicativos como uma das bandeiras do governo, especialmente em um ano eleitoral. Entretanto, aliados do presidente Lula expressaram preocupações sobre a insistência de Boulos em tabelar os valores de entrega, argumentando que isso poderia encarecer os serviços e impactar a popularidade do governo.
Opinião
A situação entre Boulos e a Uber evidencia um conflito crescente entre a regulamentação de aplicativos e os interesses de grandes empresas, refletindo as tensões no debate sobre a mobilidade urbana.





