Política

Guilherme Boulos denuncia ‘terrorismo econômico’ contra proposta de fim da escala 6 x 1

Guilherme Boulos denuncia 'terrorismo econômico' contra proposta de fim da escala 6 x 1

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), fez declarações contundentes nesta quarta-feira (4) sobre as críticas ao projeto que visa o fim da escala 6 x 1. Durante um evento no Tribunal Superior do Trabalho (TST) em Brasília, Boulos classificou essas críticas como ‘terrorismo econômico’.

A proposta para acabar com a escala 6 x 1, que atualmente exige seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga, foi apresentada por Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG). O texto chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 9 de fevereiro de 2026 e propõe uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, com dois dias de folga.

Críticas e Comparações

Boulos comparou as críticas à proposta com a defesa dos interesses dos aplicativos de transporte e entrega. Ele destacou que, no último ano, houve um aumento de 50% no preço do Uber, o que, segundo ele, foi um dos fatores que puxou a inflação, mas não foi repassado ao trabalhador. “Dizer ‘ah, vai aumentar o preço da comida, vai aumentar o preço do Uber’ é um discurso que não se sustenta. Este é o mesmo terrorismo econômico que está operando também contra o fim da escala 6 x 1”, afirmou.

O ministro reiterou que as empresas estão sendo ‘arrogantes’ e ‘intransigentes’ na defesa de seus interesses, e que as alegações de custos adicionais ao empregador, como mencionado pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, não devem ser usadas como justificativa para impedir a redução da jornada de trabalho.

Tramitação da Proposta

A proposta de redução da jornada de trabalho é uma das principais apostas do governo Lula para o ano eleitoral. Para que a proposta seja aprovada, ela precisa passar pela CCJ e, posteriormente, por uma comissão especial antes de seguir para votação no Senado. Se aprovada sem alterações, será promulgada pelo Congresso Nacional.

Opinião

A discussão sobre a jornada de trabalho é crucial para o futuro das relações laborais no Brasil, e a posição de Boulos destaca a tensão entre interesses empresariais e direitos trabalhistas.