Os juros futuros encerraram o pregão desta sexta-feira (6) sob forte pressão do ambiente global de aversão ao risco e do salto dos preços do petróleo, atingindo os maiores níveis de fechamento em 2026. A perspectiva de que a guerra no Oriente Médio se estenda fez com que o mercado precificasse um quadro de inflação pior e, como consequência, um espaço mais restrito para que a Selic seja reduzida este ano.
A aversão ao risco levou investidores a desmontarem posições nos juros prefixados, ampliando o movimento negativo da renda fixa. Ao fim dos negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2027 subiu de 13,505% para 13,67%; a do DI de janeiro de 2028 avançou de 12,975% a 13,20%; a do DI de janeiro de 2029 disparou de 13,08% para 13,30%; e a do DI de janeiro de 2031 saltou de 13,47% a 13,715%. Com exceção da taxa do DI de janeiro de 2027, todos os vértices citados terminaram nos maiores níveis deste ano.
Apesar de ser uma tendência desde o início do ano, o desempenho inferior da renda fixa em relação ao Ibovespa e ao real se acentuou nesta semana devido ao estresse do mercado em decorrência da guerra no Oriente Médio. Enquanto o índice acionário brasileiro teve perdas similares à da renda fixa, vindo de uma valorização de cerca de 16%, o câmbio local teve uma depreciação menor, de 2,14%.
Roberto Kropp, diretor e gestor da Daycoval Asset, aponta duas razões principais para as perdas mais amplas da renda fixa. A primeira é a disparada de até 35% nos preços do petróleo desde a eclosão da guerra, que impacta as perspectivas de cortes de juros no mercado. “Se o petróleo permanecer em um nível mais alto, vai passar para a inflação cheia e o Banco Central (BC) vai ficar mais conservador”, afirma Kropp.
A turbulência desta semana fortalece a expectativa por uma decisão mais cautelosa do Comitê de Política Monetária (Copom) no próximo dia 18. A probabilidade de corte de 0,25 ponto na Selic subiu de 20% para 36%</strong%, enquanto a chance de um corte de 0,5 ponto caiu de 73% para 49,9%. A probabilidade de o Copom não cortar juros passou de 2% a 16%.
Kropp ressalta que a Daycoval Asset já trabalhava com um corte menor em março, mesmo quando o mercado esperava uma redução de 0,5 ponto. Se a situação no Oriente Médio não se resolver, um corte de 0,5 ponto da Selic pode ser visto como “pouco adequado” pelo mercado.
A segunda razão para a forte desvalorização dos títulos de renda fixa é o posicionamento técnico esticado do mercado. Com o BC em vias de cortar juros, diversas casas apostaram no recuo das taxas prefixadas, cenário que se chocou com a turbulência causada pelo quadro geopolítico. Kropp também não vê um fluxo de capital estrangeiro voltando ao Brasil de forma automática após a amenização do conflito.
Opinião
A situação atual exige cautela e atenção redobrada dos investidores, pois os impactos da guerra no Oriente Médio podem influenciar diretamente a economia brasileira e as decisões do Banco Central.






