Economia

Grupo Fictor pede recuperação judicial após colapso do Banco Master em crise financeira

Grupo Fictor pede recuperação judicial após colapso do Banco Master em crise financeira

O colapso do Banco Master, ocorrido em 18 de novembro de 2025, desencadeou uma série de eventos que culminaram em uma crise no setor financeiro brasileiro. O Grupo Fictor, uma holding com atuação no setor de alimentos, foi diretamente afetado, levando a empresa a entrar com um pedido de recuperação judicial em 1 de fevereiro de 2026.

A crise começou após a tentativa de aquisição do Banco Master, que foi anunciada como uma parceria com fundos dos Emirados Árabes Unidos. No dia seguinte ao anúncio, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, gerando uma crise de confiança que se estendeu ao Fictor. Desde então, clientes do grupo requisitaram o resgate de cerca de 70% dos recursos investidos, totalizando quase R$ 2 bilhões, segundo informações do advogado da empresa, Carlos Deneszczuk.

Débitos e recuperação judicial

A corrida por resgates pressionou o caixa do Fictor, comprometendo o pagamento de dividendos e obrigações no mercado de capitais. A Justiça autorizou a recuperação judicial da Fictor em 2 de fevereiro de 2026, envolvendo a Fictor Holding e a Fictor Invest. A empresa declarou que pretende quitar os débitos, que superam R$ 4 bilhões, sem descontos, em um prazo de até cinco anos.

Modelo de financiamento e desafios de fiscalização

O modelo de financiamento da Fictor é baseado em sociedades em conta de participação (SCPs), uma estrutura que permite a captação de recursos de investidores fora do sistema bancário tradicional. No entanto, essa estrutura tem gerado preocupações quanto à sua legalidade e ao uso inadequado, o que pode elevar os riscos para os investidores.

Especialistas, como Hugo Queiroz, apontam que a magnitude e a complexidade das operações financeiras avançaram mais rapidamente do que a capacidade de fiscalização do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A falta de resposta eficaz das autoridades é alvo de críticas, especialmente em relação ao tempo que o BC levou para agir diante da crise do Banco Master.

Opinião

A crise envolvendo o Grupo Fictor e o Banco Master evidencia a fragilidade do sistema financeiro e a necessidade urgente de uma fiscalização mais robusta para prevenir futuras calamidades.