Política

Governo Lula ameaça criminalizar aplicativos de entrega em reunião tensa

Governo Lula ameaça criminalizar aplicativos de entrega em reunião tensa

Na semana passada, uma reunião no Planalto entre representantes do governo Lula e plataformas de entrega gerou tensões e ameaças de criminalização. O governo busca regulamentar o trabalho por aplicativos, mas a abordagem adotada foi criticada como um “circo armado” por participantes do encontro.

O grupo de trabalho, criado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, tem como foco a discussão de um projeto de lei que pode impactar significativamente o setor. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, que prevê uma remuneração mínima de R$ 8,50 por pedido e um piso de R$ 17 por hora para motoristas de transporte de passageiros, é um dos pontos centrais dessa discussão.

Tensão e ameaças

Durante a reunião, as plataformas de entrega, como iFood e Uber, foram convocadas apenas para ouvir as deliberações do governo, sem espaço para diálogo. Fontes presentes relataram que o governo deixou claro que a recusa em aceitar as novas regras poderia levar à criminalização da atividade. “Se vocês não se enquadrarem, vamos tratar a atividade como irregular ou até criminosa”, afirmou um representante do Ministério da Justiça, segundo participantes.

Além disso, a reunião ocorreu sem a presença dos ministros Boulos e Luiz Marinho, o que foi interpretado como uma estratégia para evitar exposição política. O encontro foi conduzido por assessores e contou com a participação de representantes do Ministério Público do Trabalho e do Tribunal Superior do Trabalho.

Impasse sobre remuneração

O debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos tem enfrentado um impasse, especialmente em relação à remuneração. Enquanto os motoristas de transporte de passageiros conseguiram um acordo, os entregadores ainda não chegaram a um consenso. A proposta do governo, que inspira o PLP 152, sugere um pagamento mínimo por entrega, mas as empresas argumentam que isso pode inviabilizar o setor.

Dados indicam que 90% dos entregadores do iFood trabalham em média 3 horas por dia, e cerca de 75% deles preferem permanecer como autônomos, rejeitando a ideia de um regime semelhante ao da CLT. As plataformas afirmam que a nova proposta pode encarecer o serviço em até 70% e reduzir o número de pedidos.

Próximos passos

Uma nova reunião está agendada para o dia 28 de janeiro de 2026, com a presença dos ministros Boulos e Marinho. Essa reunião é vista como uma última oportunidade de diálogo antes que o PLP 152 seja votado nas comissões da Câmara. O presidente da Câmara, Hugo Motta, já indicou que pretende pautar a regulamentação dos aplicativos no primeiro semestre, embora o cenário político possa influenciar essa decisão.

Opinião

A tensão entre o governo e as plataformas de entrega reflete a complexidade da regulamentação do setor, que precisa equilibrar os direitos dos trabalhadores com a viabilidade econômica das empresas.