A guerra no Irã, que teve início em 28 de fevereiro de 2026, trouxe consequências diretas para a economia brasileira, afetando diversos setores de maneira desigual. A ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel resultou em uma reação imediata nos mercados, com o preço do petróleo subindo 22,9% e o dólar passando de R$ 5,13 para R$ 5,28. Além disso, houve uma interrupção no tráfego do Estreito de Ormuz, essencial para o comércio global de petróleo.
Impacto no setor aéreo e nos combustíveis
O setor aéreo foi um dos primeiros a sentir os efeitos do conflito, com um aumento de 9,4% no preço do querosene e cancelamento de voos para o Oriente Médio. Enquanto isso, o diesel e a gasolina também apresentaram defasagens significativas, afetando as margens de lucro de transportadores e motoristas de aplicativos.
Pressão sobre a inflação e o Banco Central
O cenário também trouxe preocupações para o Banco Central, que enfrenta pressão para ajustar a taxa Selic em meio a uma expectativa de inflação de 4,7% para 2026. A alta nos combustíveis e fretes poderá elevar a inflação, dificultando a recuperação econômica do Brasil, que já apresenta um nível de desemprego de 5,4%.
Dependência do agronegócio e fertilizantes
O agronegócio brasileiro, que importa entre 80% a 85% dos fertilizantes que consome, é um dos setores mais vulneráveis ao conflito. O Irã, por exemplo, importou mais de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025, e a incerteza sobre a demanda pode impactar os preços do milho e, consequentemente, o custo de alimentos no varejo.
Riscos futuros e estagflação
Se a guerra se prolongar, o Brasil poderá enfrentar um cenário de estagflação, caracterizado por baixo crescimento e inflação persistente. A combinação de choque de custos e câmbio depreciado poderá criar um ambiente econômico adverso, com impactos que vão além do setor de energia.
Opinião
A guerra no Irã apresenta um complexo jogo de ganhos e perdas para o Brasil, onde o governo e as petroleiras se beneficiam, enquanto consumidores e setores produtivos enfrentam desafios crescentes.






