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Governo do Rio registra 329 mortes por armas de fogo após mega operação tensa

Governo do Rio registra 329 mortes por armas de fogo após mega operação tensa

Entre 28 de outubro do ano passado e 28 de janeiro deste ano, 329 pessoas foram mortas por armas de fogo na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Esse número representa um aumento de 44,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 228 pessoas perderam a vida devido à violência armada.

O governo do Rio de Janeiro mobilizou 2,5 mil policiais em uma mega operação no dia 28 de outubro, com o objetivo de cumprir 100 mandados de prisão de integrantes do Comando Vermelho em 26 comunidades da zona norte da capital, incluindo o Complexo da Penha e o Complexo do Alemão.

Dados Alarmantes

Os dados, levantados pelo Instituto Fogo Cruzado a pedido da Agência Brasil, revelam que o número de pessoas mortas inclui tanto inocentes quanto indivíduos envolvidos em atividades criminosas. Quatro pessoas foram mortas por bala perdida, e 23 outras ficaram feridas, sendo que oito delas foram atingidas durante ações policiais.

Tiroteios e Chacinas

Entre 28 de outubro de 2025 e 28 de janeiro de 2026, ocorreram 520 tiroteios na região, dos quais 200 (38,4%) aconteceram em ações policiais. Esses confrontos resultaram em 210 mortes, o que representa 68,8% do total de vítimas. Quase metade das mortes a bala após a mega operação ocorreu em 12 chacinas, sendo que oito delas foram atribuídas a ações policiais. Desde 28 de agosto de 2020, 890 pessoas foram mortas em chacinas no estado, segundo o Instituto Fogo Cruzado.

Investigações em Andamento

O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) está conduzindo investigações sobre a mega operação realizada nos complexos da Penha e do Alemão. O trabalho ocorre sob sigilo e inclui depoimentos de policiais, familiares das vítimas e outras testemunhas.

A reportagem tentou, sem sucesso, obter informações da Secretaria de Segurança Pública do governo do Rio de Janeiro e da Polícia Civil sobre os efeitos da mega operação, como a redução do domínio de facções criminosas e variações nos índices de roubos e furtos. A Agência Brasil também buscou manifestações da Defensoria Pública, da Ordem dos Advogados do Brasil (seção Rio de Janeiro) e do Conselho Nacional de Justiça, mas até o momento não obteve respostas.

Opinião

A crescente violência no Rio de Janeiro e o aumento das mortes por armas de fogo exigem uma reflexão urgente sobre as políticas de segurança pública e a eficácia das operações policiais.