O futuro da usina nuclear de Angra 3 está em jogo, com o governo federal prestes a tomar uma decisão crítica até o fim do semestre. O dilema gira em torno de concluir as obras ou abandoná-las, com custos bilionários praticamente equivalentes.
Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) revela que a conclusão da usina exigiria investimentos adicionais de cerca de R$ 24 bilhões. Por outro lado, o abandono do projeto pode custar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, considerando despesas como rescisões contratuais e devolução de incentivos fiscais.
Divisão no Governo
A ministra Esther Dweck, da Gestão e Inovação, expressou preocupação com os impactos estratégicos de uma possível desistência. Ela destacou que os custos de não continuar a obra são muito próximos aos de concluí-la, complicando a decisão interna do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto a área econômica questiona a viabilidade financeira do investimento, o setor energético defende a obra como essencial para a matriz energética limpa do país. O Ministério de Minas e Energia argumenta que Angra 3 representa uma fonte estável e de baixa emissão, alinhada à transição energética.
Consequências e Impasses
A decisão final sobre o futuro de Angra 3 caberá ao Conselho Nacional de Política Energética, que reúne ministros e especialistas para definir as diretrizes do setor. O histórico da usina inclui paralisações e investigações de corrupção, o que torna a situação ainda mais complexa.
Atualmente, as obras de Angra 3 consomem cerca de R$ 1 bilhão por ano, e o presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, alertou que a paralisação pode levar a estatal a um colapso, semelhante ao que ocorreu com os Correios.
Opinião
A decisão sobre Angra 3 deve considerar não apenas os custos imediatos, mas também os impactos estratégicos a longo prazo para a matriz energética brasileira.
