O governo federal brasileiro está em tratativas avançadas com autoridades de Angola para um acordo de cooperação que visa expandir o setor agrícola no país africano. Este acordo envolve a transferência de tecnologias do agronegócio brasileiro e a participação de empresários e instituições financeiras, com um investimento estimado em US$ 120 milhões na província de Cuanza-Norte.
Serão disponibilizados cerca de 60 mil hectares de terras para produtores brasileiros, conforme anunciado pelo governador provincial João Diogo Gaspar durante um encontro com empresários. O objetivo é atrair a experiência e tecnologia do Brasil para aumentar a produção nacional, promover exportações e gerar empregos, tornando Angola autossuficiente em alimentos.
Apoio financeiro e parcerias locais
O modelo de cooperação prevê parcerias com produtores locais e financiamento através do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil. Os recursos do BNDES serão usados para a aquisição de máquinas agrícolas e insumos, enquanto o Banco do Brasil participará do Programa de Financiamento às Exportações (Proex).
O Fundo Soberano de Angola deve contribuir com 17% do total, e os bancos angolanos farão o custeio das lavouras, com uma contrapartida de 5% e a participação dos agricultores com 10% do valor total.
Interesse brasileiro e potencial agrícola
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou que o Brasil pode se beneficiar com a venda de máquinas, equipamentos e insumos, além da transferência de tecnologia. Ele mencionou que foram identificadas oportunidades para a produção de milho, soja, algodão e carne bovina.
O interesse de mais de 30 produtores brasileiros já foi formalizado, e a Corporação Financeira Internacional (IFC), ligada ao Banco Mundial, também demonstrou interesse em financiar as operações do acordo.
Desafios e concorrência internacional
Entretanto, a iniciativa enfrenta riscos, como incertezas regulatórias e desafios logísticos em regiões com infraestrutura limitada. Em paralelo, a China também está investindo em projetos agrícolas em Angola, com um investimento de cerca de US$ 250 milhões para produção de soja e milho.
Angola, com aproximadamente 35 milhões de hectares de áreas agricultáveis não exploradas, é considerada uma nova fronteira agrícola mundial, já que atualmente apenas 37% da demanda interna de alimentos é suprida pela produção local.
Opinião
A cooperação entre Brasil e Angola pode trazer benefícios significativos, mas é essencial que os desafios sejam abordados para garantir o sucesso do projeto e a segurança alimentar do país africano.
