Na comunidade Três Moinhos, em Juiz de Fora, o morador Gilvan Leal Luzia, de 55 anos, enfrenta a dura realidade de viver entre escombros após as enchentes que devastaram a região. A tragédia, ocorrida no último mês, resultou na morte de 73 pessoas em Juiz de Fora e Ubá, e deixou 1.008 moradias completamente destruídas, incluindo 8 imóveis demolidos.
Gilvan passa seus dias em um colchão improvisado na garagem de sua casa, que foi severamente danificada pela lama. Ele recorda o momento em que quase se tornou uma das vítimas: “Eu ia entrar aqui para pegar uns documentos, aí a minha irmã falou para eu não fazer isso. Na hora que eu pensei em entrar, desmoronou tudo”. A situação é ainda mais complicada devido à sua saúde delicada, já que ele sofreu um infarto recentemente e não pode realizar esforços físicos.
Desabrigados e incertezas
Além de Gilvan, muitos outros moradores da comunidade também enfrentam dificuldades. A feirante Kasciany Pozzi Bispo, de 36 anos, tenta reconstruir sua rotina em meio ao isolamento e à falta de renda. Ela depende da venda de cana-de-açúcar, mas sua atividade foi paralisada devido à impossibilidade de transporte. “Muita cana jogada fora. É a única renda que a gente tem”, lamenta Kasciany.
A Prefeitura de Juiz de Fora anunciou que o auxílio calamidade municipal será creditado no próximo dia 23 de março nas contas do Cadastro Único (CadÚnico) das famílias afetadas. Até o momento, 101 unidades da rede municipal já retomaram suas atividades, mas cinco escolas ainda permanecem sem retorno às aulas.
Um apelo por dignidade
Kasciany e outros moradores pedem medidas urgentes para a comunidade. “Podiam, pelo menos, liberar uma máquina para limpar a rua, para o pessoal tirar o que sobrou de dentro de casa. Estamos ilhados em um bairro e ninguém faz nada”, clama Kasciany. A falta de apoio e a necessidade de reconstrução são evidentes, enquanto a comunidade tenta se reerguer após a tragédia.
Opinião
A situação em Juiz de Fora é um lembrete da importância de políticas públicas eficazes para prevenção e resposta a desastres naturais, além do suporte contínuo às comunidades afetadas.





