O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu a realização de um debate “aprofundado” e sem “corridas” sobre a redução da jornada de trabalho. Sua declaração surge após o pedido do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que solicitou o adiamento do fim da escala 6×1 para 2027, em virtude do ano eleitoral.
Skaf argumentou que é necessário que a discussão ocorra fora do contexto eleitoral, pois as emoções e interesses podem conflitar com as necessidades do país. “A gente precisa que essa discussão vá para 2027. Nós estamos abertos sempre a debater tudo”, afirmou Skaf.
Custos e implicações da mudança
Alckmin, em resposta, ressaltou que o debate deve ser aprofundado, considerando as diferentes situações dentro do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que os custos com o fim da escala 6×1 podem chegar a R$ 267 bilhões ao ano. Além disso, a previsão é que o aumento na folha de pagamentos seja repassado aos consumidores, o que pode elevar os preços.
A discussão sobre a jornada de trabalho é parte do movimento “Vida Além do Trabalho“, que tem como uma de suas protagonistas a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Embora tenha apoio de alguns trabalhadores, a proposta enfrenta críticas do setor produtivo, que argumenta que países que reduziram suas jornadas de trabalho primeiro alcançaram um desenvolvimento econômico significativo.
O evento no qual Alckmin se pronunciou ocorreu para a assinatura de um acordo entre o governo brasileiro e a Fiesp, com foco no combate à concorrência desleal no comércio exterior. Alckmin enfatizou que a cooperação com o setor produtivo é fundamental para promover um ambiente concorrencial mais equilibrado.
Opinião
A discussão sobre a jornada de trabalho é essencial, mas deve ser conduzida com cautela para evitar impactos econômicos negativos e garantir que as necessidades de todos os setores sejam consideradas.
