No dia 17 de janeiro de 2026, o terreiro Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, localizado no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador (BA), foi alvo de um ataque de intolerância religiosa. O espaço, que está em funcionamento há 33 anos, sofreu pichações com mensagens ofensivas, como ‘assassinos’ e ‘Jesus’, na madrugada de sábado.
As pichações foram descobertas por volta das 7h, quando uma filha de santo chegou ao local e encontrou o vandalismo. Além das mensagens, os responsáveis cobriram de tinta vermelha o portão de pedestres, o interfone e a caixa de correio do terreiro.
O babalorixá Pai Mutá, responsável pelo terreiro, registrou o caso na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin). As autoridades classificaram o episódio como racismo religioso e a Polícia Civil já está investigando o caso, embora não tenha havido detenções até o momento. A possibilidade de câmeras de segurança ou testemunhas que possam ajudar na identificação dos responsáveis ainda não foi confirmada.
A Fundação Cultural Palmares manifestou seu mais veemente repúdio ao ataque, ressaltando que incidentes como esse não são casos isolados, mas sim violações graves à liberdade religiosa e à dignidade humana. O órgão enfatizou a importância de se enfrentar o racismo religioso com firmeza, por meio de investigações e políticas de proteção aos espaços sagrados.
Segundo Pai Mutá, este foi o primeiro ataque desse tipo ao terreiro, que sempre manteve uma relação respeitosa com a comunidade local. O terreiro realiza atividades ligadas ao candomblé e também promove trabalhos sociais para os moradores da região.
A Fundação Cultural Palmares se solidarizou com Pai Mutá e a comunidade do Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, reiterando a legitimidade das tradições afro-brasileiras e a necessidade de justiça. Após o ataque, o terreiro divulgou uma mensagem firme: ‘Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por Justiça’.
Opinião
É essencial que a sociedade se mobilize contra a intolerância religiosa e que as autoridades ajam rapidamente para coibir esses ataques, garantindo a segurança e o respeito às tradições religiosas.





