O fim da escala 6×1 no Brasil, uma proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, pode gerar um aumento imediato de 9,6% nos custos do setor agropecuário, segundo um estudo do Ipea. A mudança, que prevê dois dias de descanso semanais, está contida na PEC 8/2025, de Erika Hilton (PSOL-SP), e deve ser discutida na Câmara dos Deputados em breve.
Essa reforma trabalhista, embora vista como uma vitória política, pode ter consequências drásticas para o agronegócio. Um levantamento da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) estima que o custo adicional na agropecuária pode alcançar até R$ 9 bilhões, afetando quase 97% dos empregos formais no setor. A necessidade de readequação das escalas de trabalho pode resultar no fechamento de cerca de 28 mil vagas na agropecuária.
Impactos regionais significativos
No Paraná, a adoção da jornada de 36 horas, conforme a proposta, acarretaria um custo de R$ 4,1 bilhões anuais ao agro. Para manter a produção, o estado precisaria de 107 mil novas contratações. A avicultura e a suinocultura seriam as mais afetadas, com custos adicionais que pressionariam a rentabilidade dos produtores.
Em Minas Gerais, o impacto seria ainda mais severo, com um aumento de até 80% no custo da mão de obra na pecuária leiteira. O estado, que é o maior produtor de leite do Brasil, pode enfrentar sérios desafios financeiros, uma vez que as vacas necessitam de cuidados diários, não respeitando a nova jornada proposta.
Além disso, Mato Grosso, o maior produtor de soja e milho do país, precisaria de mais 34 mil contratações para se adaptar à nova legislação. Esse cenário pode desequilibrar a balança financeira das lavouras, resultando em um repasse de custos para os consumidores finais, com produtos podendo ter um aumento de até 24% no varejo.
Opinião
A implementação do fim da escala 6×1 pode trazer um choque de custos que não só afetará a lucratividade do agronegócio, mas também impactará diretamente o bolso do consumidor, gerando uma onda de inflação nos preços dos alimentos.





