Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) Direito Rio recomenda que o Google remova de seus resultados de pesquisa os sites de nudify, ferramentas de inteligência artificial (IA) que geram imagens falsas de nudez sem consentimento. A cobrança ocorre após o Brasil registrar um recorde de buscas por essas plataformas, impulsionado pela popularização da ferramenta de edição de imagens da IA Grok, da rede social X de Elon Musk.
Recomendações da FGV
O documento apresenta uma lista de medidas estruturais para a plataforma de buscas, sendo a principal recomendação a desindexação completa de URLs que hospedam essas ferramentas, incluindo domínios espelhos e variantes linguísticas. Os pesquisadores orientam a implementação de filtros algorítmicos, baseados em análise semântica e metadados, para impedir a indexação futura de sites similares.
A FGV sugere a remoção de sugestões na função de “autocompletar” para termos como nudify, undress AI e deepnude. Além disso, recomenda a exibição de avisos de segurança nos resultados dessas buscas para informar os usuários sobre a ilegalidade e os danos da prática.
Impacto do Grok e responsabilidade do Google
A pesquisa propõe a atualização das políticas do Google para classificar essas páginas como nocivas, equiparando-as aos sites de imagens íntimas não consentidas. O texto pede a criação de um canal de denúncia rápido para vítimas e organizações da sociedade civil, além de cobrar transparência nos relatórios sobre o número de URLs removidas.
A coordenadora do estudo e professora Yasmin Curzi argumenta que o mecanismo de busca atua como o principal portal de descoberta para essas tecnologias, e sua indexação amplifica o alcance de tecnologias de abuso, facilitando violência de gênero online e abuso infantil em escala industrial.
Impacto nas escolas e base legal
A facilidade de acesso a essas ferramentas afeta diretamente o ambiente escolar. Um mapeamento da SaferNet Brasil, realizado em 2025, identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino de 10 estados brasileiros, atingindo alunas e professoras. O documento fundamenta a cobrança de desindexação no Marco Civil da Internet e na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
A FGV baseia o pedido também no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entra em vigor em março de 2025 e impõe aos fornecedores o dever de prevenir e mitigar riscos de exposição a conteúdos de abuso.
Opinião
A pressão da FGV sobre o Google é um passo importante para proteger as vítimas de abusos digitais e garantir um ambiente mais seguro na internet.






