O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou um plano emergencial para cobrir o rombo estimado em R$ 55 bilhões gerado pela liquidação do Banco Master. A informação foi revelada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O objetivo é garantir que, até o final do primeiro trimestre de 2023, o FGC já tenha caixa líquido compatível com o risco do sistema.
Medidas para a recomposição
Para alcançar essa meta, os bancos planejam adiantar imediatamente o equivalente a cinco anos de contribuições futuras ao fundo, dividido em três parcelas mensais. Em 2027, haverá mais uma antecipação de 12 meses de repasses e, em 2028, outros 12 meses, totalizando sete anos de contribuições adiantadas. Além disso, o esquema prevê um aumento extraordinário de 30% a 60% no valor pago mensalmente pelas instituições ao FGC por pelo menos 60 meses.
Desembolsos e liquidações
Até a última sexta-feira, o FGC já havia desembolsado R$ 36 bilhões dos pouco mais de R$ 40 bilhões que serão pagos a credores do Master. O fundo ainda não iniciou o processo de reembolso dos investidores do Will Bank, que fazia parte do Master e teve a liquidação imposta apenas em janeiro, com uma estimativa de mobilização de R$ 6,3 bilhões em garantias.
Alertas ao Banco Central
Nos últimos três anos, o FGC enviou ao Banco Central pelo menos 30 alertas sobre práticas questionáveis do Master. A avaliação é que os desdobramentos do caso reforçaram a importância de fortalecer a credibilidade do fundo, que é vital para assegurar a viabilidade de instituições de médio porte.
Discussões sobre reformas
As conversas sobre alterações nas normas estatuárias do fundo já vinham sendo desenhadas de maneira informal desde aquela época, mas o debate formal deve ser adiado para depois do primeiro trimestre, quando a questão da recomposição já estiver encaminhada. Entre as pautas, o setor deve discutir mecanismos para monitorar a qualidade dos balanços dos bancos associados e responsabilizar instituições que mantenham uma gestão de risco mais obscura.
Opinião
A situação do FGC e as medidas adotadas mostram a urgência em restaurar a confiança no sistema financeiro, essencial para a estabilidade econômica do país.
