A recente indicação de Tiago Cavalcanti e Guilherme Mello ao Banco Central (BC) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acendeu um sinal de alerta no mercado financeiro. As escolhas geram preocupações sobre uma possível interferência política na autonomia do BC, especialmente em um cenário onde a Selic foi elevada para 15% em 2025, o maior nível desde 2006.
Haddad levou os nomes ao presidente Lula (PT) para preencher as vagas na diretoria do BC, que estão abertas desde dezembro de 2025. Enquanto Cavalcanti é visto como um economista técnico e distante da militância política, Mello, atual secretário de Política Econômica e formulador do programa econômico do PT, é considerado mais heterodoxo e alinhado com a crítica do partido às altas taxas de juros.
Reações do Mercado e Polêmica sobre a Autonomia do BC
Após o anúncio, os juros futuros na bolsa brasileira dispararam, refletindo o aumento do prêmio de risco e a percepção de um possível “aparelhamento institucional”. Lula já havia defendido que a política monetária deve se alinhar às diretrizes do governo, desafiando a ideia de uma autonomia técnica do BC, que tem a função de zelar pela estabilidade da moeda.
O cenário se agrava com a recente votação dividida do Comitê de Política Monetária (Copom) em maio de 2024, que resultou em 5 a 4, evidenciando a polarização dentro do órgão. O economista Fabio Murad expressou que as indicações de Haddad podem enfraquecer o núcleo técnico do BC, gerando desconfiança no mercado.
Histórico de Mello e suas Implicações
O histórico de Mello também é motivo de preocupação. Em março de 2023, ele já havia insinuado uma influência política nas decisões do BC, e suas declarações sobre a Selic provocaram reações negativas no mercado. Mello coordenou o “Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil” em 2020, que defendia a ampliação do papel do BC além do controle da inflação.
Se as indicações forem formalizadas, Mello e Cavalcanti passarão por sabatina no Senado. Se aprovados, o governo Lula terá a maioria no Conselho Diretor do BC, o que pode aumentar a pressão por decisões que favoreçam interesses eleitorais, especialmente em um ano de eleições.
Opinião
A situação atual do Banco Central é crítica, pois a política monetária deve ser guiada por critérios técnicos, e não por agendas políticas. O equilíbrio entre autonomia e diretrizes governamentais é essencial para a estabilidade econômica do país.
