O governo do presidente Lula (PT) tem atribuído a deterioração das contas públicas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em uma declaração polêmica, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que houve um ‘estupro das contas públicas’ durante a gestão anterior. Segundo Haddad, a administração de Bolsonaro entregou um orçamento deficitário para 2023 após criar um superávit artificial em seu último ano de governo.
Os números, no entanto, contam uma história diferente. Em 2022, o Brasil registrou um superávit primário de 1,25% do PIB, o melhor resultado em oito anos, impulsionado por receitas extraordinárias e pela recuperação econômica pós-pandemia. Desde então, as contas têm se mantido no vermelho, com Lula encerrando 2025 com um déficit primário de 0,43% do PIB.
Endividamento e Crescimento das Despesas
O endividamento público subiu para 78,7% do PIB durante o governo Lula, um aumento significativo em comparação com a dívida de 55,5% do PIB ao final do primeiro mandato de Lula. Entre 2023 e 2025, o crescimento real da despesa foi de 15,4%, quase três vezes mais do que o registrado entre 2019 e 2022, que foi de 5,6%.
Projeções Futuras e Déficit Nominal
As projeções indicam que o endividamento pode chegar a 83,8% do PIB ao fim de 2026. O déficit nominal, que inclui juros da dívida, aumentou de 4,9% do PIB em janeiro de 2023 para 9,3% do PIB em 2025, o maior nível do período. O cenário fiscal atual se assemelha mais à gestão de Dilma Rousseff do que aos primeiros mandatos de Lula, que conseguiram manter superávits primários.
Opinião
A crítica de Haddad revela a complexidade da situação fiscal brasileira, onde a responsabilidade pela deterioração das contas públicas é um tema de intenso debate político.






