A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a apertar as margens do produtor rural em Mato Grosso do Sul, principalmente pelo aumento do preço do petróleo e, consequentemente, do óleo diesel, insumo essencial para o plantio, a colheita e o transporte da produção agrícola.
Uma avaliação da equipe técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) aponta que o impacto imediato recai sobre a logística e a rentabilidade, com efeitos mais fortes na colheita da soja e na comercialização da safra, embora o plantio da segunda safra tenha sido menos afetado no curto prazo.
De acordo com a Famasul, a elevação do petróleo tem efeito direto nos custos operacionais do campo. “A guerra no Oriente Médio impacta o agronegócio principalmente pela alta do petróleo, que encarece o diesel e eleva os custos de plantio, colheita e transporte, além de pressionar fertilizantes”, informou a equipe técnica da Famasul.
Impactos na colheita e logística
O avanço das operações no campo reforça esse cenário. No último boletim com informações do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga-MS), a colheita de soja atingiu 82% da área, o equivalente a 3,93 milhões de hectares, enquanto o plantio do milho segunda safra avança em ritmo acelerado no Estado, ampliando a demanda por combustível nas lavouras.
Esse movimento intensifica o uso de máquinas e o transporte de insumos, elevando o impacto financeiro do diesel mais caro. Por outro lado, a colheita da soja e o escoamento da produção tendem a sentir mais fortemente o encarecimento do combustível.
“O impacto tende a ser maior na colheita e na logística, com aumento dos custos de frete e pressão sobre a rentabilidade do produtor, especialmente se o conflito persistir”, apontou a equipe técnica.
Custos de produção e fertilizantes
O diesel representa parcela relevante das despesas nessas etapas, sobretudo em operações intensivas de máquinas e no transporte rodoviário até armazéns e portos. “O aumento do diesel não impede a colheita, mas impacta sua eficiência econômica, elevando o custo por hectare colhido e encarecendo o transporte da produção”, afirmou a equipe técnica.
Segundo a entidade, o encarecimento já começa a pressionar os custos de produção e deve reduzir a margem líquida dos produtores. “O aumento do diesel já começa a pressionar os custos, embora o impacto total na margem só possa ser medido ao final da colheita”, explicou.
Outro ponto de atenção é o mercado de fertilizantes, que também sofre influência do cenário geopolítico e do custo da energia. A entidade aponta um cenário heterogêneo nas compras para a safra 2026/2027. “Parte dos produtores antecipou a contratação dos insumos e conseguiu se proteger da recente alta de preços”, informou a equipe técnica.
Os reajustes já são percebidos em diferentes categorias. “Os nitrogenados, como a ureia, podem registrar aumentos entre 10% e 35%, especialmente em função do custo da energia”, destacou a avaliação.
Opinião
A combinação de diesel mais caro e fertilizantes em alta já preocupa o setor produtivo em MS, exigindo atenção redobrada dos produtores para manter a rentabilidade.





